Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 290 - Set/Out 2007

Alargar a frente social de luta e reforçar o Partido

por Revista «O Militante»

Passada a época de verão, que tornou praticamente inevitável o abrandamento da actividade, entramos num período em que o combate político e a luta social vão necessariamente intensificar-se. Exigindo das organizações do Partido, a todos os níveis, um apurado trabalho de direcção, uma intensa dinâmica de intervenção e grande espírito de iniciativa. A tendência é para a agudização da luta de classes, para a intensificação da luta popular de massas, para o alargamento da frente social de luta contra a ofensiva do grande capital e do seu governo de serviço.



Os trabalhadores assalariados, tanto do sector público como do sector privado, constituem o principal alvo das políticas de direita. O aumento da exploração e, simultaneamente, o enfraquecimento da força organizada e da capacidade de mobilização da classe operária e dos trabalhadores em geral, é o objectivo central da classe dominante e dos partidos que, no Governo ou fora dele, há mais de trinta anos procuram sem êxito “quebrar a espinha aos Sindicatos”, destruir o sindicalismo de classe que em Portugal ganhou raízes profundas. A defesa e fortalecimento da unidade da classe operária e da sua luta organizada continua a ser hoje, como sempre, tarefa central dos comunistas.



Mas a ofensiva é global e desenvolve-se numa ampla frente que vai da tentativa de liquidação de direitos e conquistas laborais alcançados por décadas de duras lutas a crescentes ataques ao regi me democrático constitucional Passando, como se está a ver com a presidência portuguesa da União Europeia, pela a acentuação da vergonhosa política de submissão de Portugal ao imperialismo. Multiplicam-se deste modo os factores de descontentamento que. dando expressão no plano social à política de alianças preconizada pelo PCP empurram para a luta comum ou convergente a classe operária, os agricultores, os pequenos e médios comerciantes e industriais, a intelectualidade e demais classes e camadas não monopolistas atingidas pela política de rápida concentração do capital e da riqueza do Governo do PS. Esta situação objectiva, como geralmente acontece, não tem (ainda) correspondência no plano subjectivo, nem encontra expressão no plano político partidário. Esse é um problema que só o desenvolvimento cia luta de massas e o reforço do PCP permitirá clarificar e resolver, pois é aqui que reside o cerne da alternativa política por que lutamos.

Dispondo do poder e do domínio dos grandes meios de informação e diversão ideológica, as forças que servem o grande capital conservam ainda grande margem de manobra para confundir, neutralizar, recuperar e mesmo instrumentalizar o descontentamento e oposição às suas políticas antipopulares. Isso não anula porém uma realidade fundamental: a classe operária e as massas trabalhadoras não estão isoladas na sua luta, a qual por sua vez estimula a luta de outros sectores que, em maior ou menor grau, são também eles agredidos por políticas que, servindo os grandes grupos económicos e o imperialismo, estão em contradição com os seus interesses e aspirações mais sentidas. E significativo que a Greve Geral de 30 de Maio tenha contado, como nenhuma outra antes realizada, com visí~e1 compreensão e apoio populares.



Nesta situação em desenvolvimento, em que se estreita a base de apoio de um Governo que não cumpre as promessas e as expectativas que criou, é muito importante que os comunistas saibam combinar a prioridade à acção nas empresas e locais de trabalho, à acção de massas e à defesa e consolidação do movimento sindical unitário, com o desenvolvimento do trabalho junto doutras camadas sociais, apoiando e promovendo a unidade na acção em torno de reivindicações concretas e causas específicas, animando a convergência de lutas, trabalhando para a sua confluência numa torrente que, pela sua dimensão expressão política, crie finalmente condições para a viragem que se impõe na vida nacional. Este é também o caminho para combater o movimento reformista, a demagogia anti-partidos, o divisionismo e o anti-comunismo com que, à direita e  à «esquerda», se procura iludir e fechar portas a soluções alternativas, soluções que só podem ser encontradas com o PCP e no caminho da ruptura com politicas de reconstituição do capitalismo monopolista. O impacto político da crescente resistência à ofensiva e das grandes mobilizações que tiveram lugar nos últimos tempos , com destaque para a Greve Geral de 30 de Maio, é um dado fundamental a ter em conta na avaliação das condições para o desenvolvimento próximo da luta. Mesmo em condições institucionais desfavoráveis — com uma maioria absoluta do PS na Assembleia da República, um Presidente dia República da direita em «convergência estratégica» com o Governo, a aliança de facto PS/PSD para a realização dos interesses do capital, a muleta que o BE está a dar ao PS — é possível alcançar vitórias parciais importantes. Não há teimosia e arrogância que resista à persistência da luta de massas e à elevação do seu conteúdo político. A história da democracia portuguesa mostra que, remando contra o povo, mesmo as maiorias mais amplas podem ser abaladas e finalmente derrotadas pela força da luta.Os próximos meses vão exigir muito dos comunistas. Desde logo na luta quotidiana nas empresas e locais de trabalho onde o confronto de classe é mais directo e mais agudo, a começar pelas empresas e sectores de importância estratégica. Mas por toda a parte, lá onde os direitos e interesses dos trabalhadores e das populações estão a ser atingidos pelas políticas de direita. As batalhas em curso em defesa dos direitos laborais e sindicais, do Serviço Nacional de Saúde, da escola pública revestem-se de uma grande importância. A manifestação nacional convocada pela CGTP para 18 de Outubro por ocasião do Conselho Europeu da (TE que se propõe aprovar o chamado «Tratado reformador» reclama (dos comunistas um grande empenho para que seja o sucesso que a grave situação do país reclama.



Simultaneamente é necessário prestar uma grande atenção ao reforço orgânico) do Partido — atenção que o artigo «Tarefas necessárias para um Partido mais forte» sublinha — e à realização em 24 e 25 de Novembro da Conferência Nacional do PCP «Outro rumo. Nova política ao serviço do povo e do país». Ás cerebrações do 90.° aniversário da Revolução de Outubro (levem ser também ocasião para múltiplas iniciativas descentralizadas em que, tirando lições da História e combatendo a sua revisão oportunista, o Partido confirma a sua confiança no ideal e no projecto comunista e a sua determinação na luta pela construção em Portugal de tinia sociedade socialista.



«Organizar e lutar, lutar e organizar» foi sempre um dos mais importantes lemas deste nosso Partido cuja existência e razão de ser reside nos trabalhadores e no povo. Organização e luta são inseparáveis e é muito importante para o aperfeiçoamento do estilo de trabalho assimilar a relação dialéctica que une estes dois conceitos e (dar-lhe conteúdo na Prática quotidiana de cada militante e de cada organização partidária. Daí urna forte chamada de atenção para os cinco artigos que neste número de «O Militante» se publicam centrados em experiências concretas relacionadas com a Greve Geral de 30 de Maio e que continuarão no próximo) número. Eles confirmam que o Partido e o seu reforço é indispensável ao desenvolvimento da luta, e que é que na luta que o Partido se constrói, se fortalece, se liga mais intimamente aos trabalhadores e ao povo.