Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Partido, Edição Nº 290 - Set/Out 2007

Forte adesão no distrito de Setúbal

por Telma Capucho

A Greve Geral de 30 de Maio foi a maior acção de massas contra o governo PS/Sócrates e uma grandiosa jornada de luta dos trabalhadores portugueses contra as políticas de direita e pela exigência de mudança de rumo para o país. Apesar de muitos obstáculos e dificuldades, esta jornada de luta demonstrou a grande determinação de mais de um milhão e 400 mil trabalhadores e o seu sucesso deve-se ao grande trabalho de organização, mobilização e esclarecimento do movimento sindical e de todo o Partido.

A Greve Geral, decidida, convocada e organizada pela CGTP-IN, teve um contributo determinante de todos os comunistas, nomeadamente de dirigentes e delegados sindicais e membros de Comissões de Trabalhadores que mereceram a confiança dos trabalhadores que os elegeram e com eles combateram as «inevitabilidades» e o conformismo.

Na Organização Regional de Setúbal debateu-se, esclareceu-se e mobilizaram-se os militantes através de uma discussão aprofundada nas concelhias e em plenários gerais ou sectoriais de enquadramento. Nos concelhos constituíram-se grupos de trabalho que, em consonância com o movimento sindical, organizaram e planificaram a Greve Geral, definindo empresas e locais de trabalho prioritários ou estratégicos e os objectivos gerais e específicos de luta. As células de empresa programaram a sua acção e intervenção na preparação e no dia da Greve Geral, elaboraram boletins, mobilizaram nos locais de trabalho, organizaram e participaram no piquete de greve.

A Greve Geral evidenciou a importância de um PCP mais forte, com organização nas empresas e locais de trabalho. Para colmatar as nossas próprias debilidades foi necessário contar com todos os militantes, os que estão integrados nas células, os que estando organizados no local de residência criaram uma ligação à célula ou ao local de trabalho, os que são apenas contactos ou pontas de ligação ao Partido, e os que são da JCP.

Na preparação da Greve Geral foi necessário imprimir um funcionamento mais regular aos organismos existentes, às células de empresa e aos organismos intermédios de empresas (organismo concelhio onde se integram todos os trabalhadores de diferentes sectores de actividade enquanto não é possível constituir célula), e os grupos de trabalho preencheram as falhas existentes.

Definidas as prioridades de intervenção desenvolveu-se um trabalho de grande persistência e contacto com milhares de trabalhadores, acções de agitação e propaganda através da edição de 13 boletins de célula e de outros boletins e comunicados concelhios e de freguesia ou da distribuição do documento nacional «Basta de Injustiças». Este trabalho persistente e determinado teve frutos para o reforço da organização do Partido com a criação de novos organismos, de que é exemplo a célula da Pioneer no Seixal. A formação desta célula deve-se a muitos contactos que resultaram em recrutamento de três novos militantes, com os quais foi possível constituir uma célula que reuniu pela primeira vez ainda antes da Greve, tendo contribuído para a mobilização dos trabalhadores a partir da realidade específica desta empresa.

Cada empresa ou local de trabalho tem condicionalismos próprios, o que obriga a ajustar a organização e a intervenção do Partido a diferentes realidades.

No concelho de Almada os militantes do sector da Administração Pública estão dispersos pelas escolas, centros de saúde e segurança social; não sendo possível reunir com todos os militantes ao mesmo tempo, eles são contactados regularmente nos locais de trabalho, com a distribuição de propaganda, a venda e divulgação do «Avante!» e a recolha da quotização. Na célula da Faculdade de Ciências e Tecnologia UNL chamaram-se mais camaradas a participar, foram integrados no organismo com tarefas atribuídas, nomeadamente a quotização e a propaganda, e a afirmação do PCP passou a ser regular.

A presença constante do Partido nos locais de trabalho, a intervenção intensa do movimento sindical e os objectivos que conduziram à convocação da Greve Geral levaram à paralisação de dezenas de serviços no concelho.

Na Greve Geral participaram pela primeira vez milhares de jovens e trabalhadores com vínculos precários que foram determinantes para a paralisação total ou parcial de algumas empresas. É disso exemplo a paralisação dos trabalhadores de empreiteiros da Portucel, Industrial Modem e Mega Work, que impediram que nesse dia nem uma única folha de papel fosse produzida. A adesão destes trabalhadores deve-se à intervenção do movimento sindical que procurou organizar-se e intervir melhor junto destes trabalhadores. A acção dos dirigentes sindicais no combate à precariedade teve resultados na Greve Geral com a adesão total destes trabalhadores e com o incremento do prestígio da CGTP. Para o Partido ficaram contactos e o conhecimento mais aprofundado da situação de precariedade nesta empresa permitindo uma maior e mais correcta intervenção do PCP. E a luta continuou para os 150 trabalhadores da empresa de trabalho temporário, Industrial Modem, que estiveram em greve de 30 de Julho a 3 de Agosto, duas horas por turno e às horas extraordinárias, em defesa melhores salários, melhor vínculo contratual e pela definição das carreiras profissionais.

Para a paralisação a 100% do Estaleiro da Lisnave/Gestnave, na Mitrena em Setúbal onde trabalham regularmente cerca de 2000 operários, contribuiu decisivamente o empenho de muitos comunistas no esclarecimento e na mobilização de todos os trabalhadores: os cerca de 600 efectivos, os que têm vínculos precários e os trabalhadores imigrantes (para os quais foi elaborado um documento em romeno e em búlgaro explicando as razões da greve).

Na Transtejo a adesão dos trabalhadores à Greve Geral foi total, com recusa de cumprimento dos ditos serviços mínimos, constituindo uma importante jornada de luta pela defesa do direito à greve, para além de todos os outros objectivos da Greve Geral. Os trabalhadores provaram uma grande consciência de classe, enfrentando corajosamente uma situação de grande pressão nas vésperas e no dia da Greve. O Partido e o movimento sindical tiveram um papel determinante na mobilização e consciencialização destes trabalhadores, partindo de algumas pontas de ligação ao Partido, do conhecimento dos dirigentes sindicais e da célula da Transtejo de Almada procurou-se contactar um a um todos os membros das diferentes tripulações dos barcos que partem quer do concelho de Almada, quer dos concelhos do Seixal e Montijo. O contacto quase porta à porta com todos os trabalhadores, o papel mobilizador dos dirigentes sindicais e dos membros do Partido no local de trabalho, nomeadamente através da sua intervenção e distribuição do boletim da célula, «o cacilheiro vermelho», e a acção dos numerosos piquetes de greve no próprio dia contribuíram para a extraordinária participação destes trabalhadores na Greve Geral. Após a greve recrutou-se, reforçando a organização e alargou-se a influência social do Partido. E o PCP continua a acompanhar e a ser solidário com estes trabalhadores que continuam em luta, fazendo greve às horas extraordinárias contra as faltas injustificadas (medida repressiva por parte da administração após a Greve Geral).

A Greve Geral comprovou a importância da organização do PCP nas empresas e locais de trabalho. E por sua vez a luta de massas, a Greve Geral, contribuiu para o reforço orgânico do Partido, com a criação ou reactivação de organismos de base, com o recrutamento e a revelação dos quadros mais dinâmicos e de maior consciência de classe.

O reforço orgânico do Partido junto da classe operária e de todos os trabalhadores é possível, a Greve Geral assim o provou.

O alargamento da influência social e política do Partido permitiu elevar a consciência social e política dos trabalhadores, identificando os responsáveis pela crise política, económica e social do país e levou os trabalhadores a perceber a importância da luta de massas para se conseguir uma mudança política.