Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Juventude, Edição Nº 307 - Jul/Ago 2010

9.º Congresso da JCP - Com a luta da Juventude construiremos o futuro!

por Cátia Lapeiro

Podemosafirmar que a Juventude Comunista Portuguesa saiu reforçada doseu 9.º Congresso, realizado em Lisboa a 22 e 23 de Maio, e commais condições de contribuir para a construçãodo futuro, que é o mesmo que dizer contribuir para a luta dajuventude. No Congresso esteve bem presente a ideia do futuro quequeremos construir. Um futuro que signifique o progresso e o avançodas conquistas dos jovens e do povo. Um futuro que signifique o fimda exploração, da opressão, das desigualdades,das injustiças e da guerra, promovidos pelo capitalismo. Umfuturo que signifique a liberdade humana, a paz e a solidariedadeentre os povos. É este o futuro que garante aos jovens a suarealização a todos os níveis, a sua participaçãoactiva na sociedade, o respeito e o aprofundamento dos seus direitospolíticos, económicos, sociais e culturais. Construir ofuturo é construir uma sociedade nova, a construçãode uma democracia avançada no caminho do socialismo e docomunismo.

Podemostambém afirmar que cumprimos os objectivos traçadospara este Congresso, que estavam intimamente ligados àsnecessidades da organização, que consequentemente sãoas necessidades da luta do povo português e da juventude emparticular.

Oreforço da organização e da sua intervençãojunto da juventude portuguesa, ficou patente nos mais de 660recrutamentos realizados no processo de preparação donosso Congresso, e pelo reforço e criação decolectivos que tal significou. Assim, intensificámos a nossaintervenção, especialmente nas escolas e locais detrabalho. Isto foi particularmente visível na intensaactividade concretizada nos meses preparatórios. Por todo opaís foram realizadas centenas de distribuições,colagens de cartazes, dezenas de debates, convívios e outrasiniciativas, vendas do Agite do Avante,os Encontros Regionais– em Aveiro, Coimbra, Évora, Lisboa, Porto, Santaréme Setúbal – ou o TorneioAgit. Por todo o paístambém foi visível o Congresso pintado em dezenas demuros, com a realização da campanha de murais queprocurou reafirmar um direito que muitas vezes é atacado. Emais uma vez ficou demonstrada esta ofensiva, como é exemplo asituação ocorrida no Porto, a três dias doCongresso, onde tentaram impedir a pintura de um mural, chegandomesmo a ocorrer a detenção de um camarada. O Congresso,e consequentemente a afirmação da JCP e do idealcomunista, esteve nas ruas, bem presente junto de milhares de jovens,mostrando que é a JCP a organizaçãorevolucionária da juventude que melhor defende os seusdireitos e aspirações.

Oenorme trabalho individual e colectivo dos militantes da JCP naconstrução do seu Congresso, reflectiu-se tambémno amplo processo de discussão e construção daResolução Política. As dezenas de reuniõese iniciativas de discussão do Projecto de ResoluçãoPolítica e as centenas de propostas de alteraçãoapresentadas em todo o processo, faz com que possamos dizer que aorganização aprofundou a sua análise darealidade da juventude e a sua discussão e reflexãosobre a forma de transformar esta realidade.

Reflectiu-setambém no processo de eleição da nova DirecçãoNacional, construída a partir da discussão eauscultação dos colectivos e militantes da JCP, com umlevantamento de centenas de nomes. A proposta levada ao Congresso,era composta por 91 camaradas, de todas as organizaçõesregionais da JCP, com 56% de rapazes e 44% de raparigas. São26 os estudantes do Ensino Básico e Secundário, 29 doEnsino Superior, 5 do Ensino Profissional, e 31 os trabalhadores. Noque se refere à ligação ao movimento juvenil,destaca-se que 31 são membros de associações, 15são dirigentes estudantis e 9 são sindicalizados.

UmaResolução Política e uma Direcçãoconstruídas colectivamente, reflexo muito concreto do caráctere funcionamento da nossa organização: a democraciainterna, a ampla discussão e trabalho colectivo e a aplicaçãocriativa do centralismo democrático. Não éindiferente a este facto, que ambas tenham sido aprovadas por largamaioria, demonstrando o grande envolvimento e unidade no seio daorganização.

UmCongresso ligado à vida dos jovens, foi outro dos objectivostraçados e concretizado, demonstrando o insubstituívelpapel dos comunistas na vanguarda da luta da juventude pelaconcretização dos seus sonhos e aspirações.A JCP esteve na linha da frente na animação edinamização das suas grandes lutas. As lutas demilhares de estudantes do Ensino Básico e Secundário,do Ensino Profissional e do Ensino Superior pelo direito àEducação pública, gratuita, democrática ede qualidade para todos, e as lutas de milhares de jovenstrabalhadores pelo emprego com direitos. Especial destaque para agrandiosa luta de 29 de Maio, com mais de 300 mil trabalhadores, emuitos milhares de jovens. O contributo dos jovens comunistas paraesta grandiosa acção, é prova da práticadas orientações saídas do nosso Congresso, ondea luta tem um papel de destaque! A JCP saúda estas lutas,assim como reafirma o seu compromisso de continuar junto da juventudeportuguesa na construção de uma sociedade mais justa.Reafirmamos o nosso empenho na luta pela concretizaçãodo direito à educação e ao emprego, mas tambémna luta pelo direito à cultura, ao desporto, à saúde,à habitação, ao associativismo e à paz.

Ficoudemonstrado, com toda a intervenção dos comunistas naluta pela resolução dos problemas dos jovens, nãosó a sua profunda ligação e conhecimento darealidade da juventude, como também o seu carácterrevolucionário, assumindo a necessidade de ruptura com aspolíticas de direita dos Governos PS e PSD, coligados ou nãocom o CDS-PP, coniventes com os objectivos do capital. O lema donosso Congresso – «Com a luta da Juventude, construir ofuturo!» – foi assim levado à letra no seu processopreparatório, mostrando também as condiçõese potencialidades da juventude para a resistência e lutaperante toda a ofensiva que sofrem.

NoManifesto àJuventude, a JCPcompromete-se a continuar a lutar para transformar o mundo econstruir o futuro desejado pela juventude e pelo povo, assim comolança o apelo a todos os jovens para que se juntem a estajusta, empolgante e invencível causa por que lutamos.

Asdezenas de intervenções realizadas no 9.ºCongresso, sobre a actividade dos mais variados colectivos, e sobreos mais diversos temas ligados à realidade juvenil, espelham aintima ligação da JCP à vida dos jovens e oamplo trabalho de intervenção sobre a sua realidade.

Apresença de 20 delegações internacionais doscinco continentes, de organizações comunistas eprogressistas, foi reflexo da solidariedade internacionalista quecaracteriza a JCP e as suas relações no planointernacional. Foi reafirmado no Congresso o contributo e trabalho daJCP no plano da luta anti- imperialista, pela paz entre os povos,nomeadamente no quadro da presidência da FederaçãoMundial da Juventude Democrática.

Nãose pode deixar de falar de outros aspectos do Congresso de granderelevância para o seu sucesso. A implantação doespaço, a organização de autocarros, dasdormidas e refeições, a decoração queenchia aquele espaço com a luta da juventude, ou os outrosaspectos de funcionamento nos próprios dias, deixam a claro anossa capacidade de organização e de envolvimento decamaradas no trabalho.

Odesfile na noite do primeiro dia do Congresso, demonstrou acombatividade e alegria com que lutamos diariamente. Muitas centenasde vozes reivindicaram naquela grande manifestação osdireitos da juventude e a afirmação do que é aJCP. Centenas de pessoas nas ruas aplaudiam e partilhavam as palavrasde ordem, num entusiasmo contagiante e vibrante que inundou toda agente que participava e assistia. O ambiente de animaçãoe força culminou num grande concerto, onde se lia «Avantecom a luta! Pelos direitos da juventude, o PEC não passará!»,juntando muitas centenas de jovens, mostrando que somos umaorganização de massas, ligada à juventude e aosseus anseios.

Outrosaspectos enquadrados na preparação do nosso Congresso,revelam esta ligação e o trabalho feito pela JCP parachegar cada vez mais longe. Demonstram-no os concursos promovidos noâmbito do Congresso – musical, literário e de artesvisuais – que contam com dezenas de participações,permitindo envolver jovens das mais variadas áreas, indo aoencontro dos seus interesses.

Écom orgulho que fazemos este balanço do nosso Congresso, mas étambém com a profunda convicção de que sãoexigentes as tarefas que nos são colocadas para o futuro. Omomento actual que vivemos revela-nos grandes potencialidades de lutada juventude, mas também um agravamento da ofensiva aos seusdireitos. O ataque ao emprego com direitos, o aumento do desemprego eda precariedade; a destruição da escola pública;a privatização e elitização do EnsinoSuperior; as dificuldades no acesso à habitação;a mercantilização da cultura e do desporto; o ataque àsliberdades e direitos democráticos; têm marcado a acçãodo actual Governo PS, com a conivência do PSD e CDS-PP. A todaesta ofensiva, associa-se a tentativa de limitação edestruição da capacidade reivindicativa da juventude,do controlo da sua acção e potencial transformador.

Paradar resposta a esta ofensiva, é fundamental a continuaçãodo nosso trabalho para o reforço da organizaçãoe da sua intervenção. A criação de maiscolectivos e o reforço dos já existentes, priorizandoos de escola e de empresa, espaços de grande concentraçãojuvenil e onde a luta de classes assume maior expressão, éfundamental para o aumento da nossa intervenção econsequente reforço da luta. Para tal, o recrutamento de novosmilitantes, a tarefa diária de chamar mais jovens parareforçar as fileiras da JCP, é o garante de que teremosmais condições de intervir para transformar. Éimportante não esquecer o papel fundamental que tem oenquadramento e responsabilização dos novos camaradasna vida e actividade da organização.

Ligadaao reforço da nossa intervenção, estánaturalmente a capacidade realizadora de cada colectivo, que tem queser cada vez mais intensificada. Só com a materializaçãoda discussão em intervenção prática nosvários locais, se cumpre efectivamente o objectivo deconsciencializar a juventude, reforçar a organizaçãoe a luta. Intervir de forma dinâmica e criativa, conhecer osproblemas concretos e agir sobre eles, deve ser tarefa constante doscolectivos. O aprofundamento da análise da realidade dajuventude, deve também ser uma linha de trabalho constante.Outras tarefas regulares, como a recolha de fundos e a compra e vendado Agit eda imprensa do Partido, devem ser alvo de medidas concretas queajudem ao seu desenvolvimento. A intensificação dapreparação daFesta do Avante!, jános próximos dias 3, 4 e 5 de Setembro, é uma tarefaurgente. Levar mais jovens à Festa e envolver todos oscamaradas no trabalho colectivo da sua construção,contribuirá para potenciar e dar ânimo à nossaintervenção e à luta nas escolas e locais detrabalho.

Umaorganização reforçada, com todos estes aspectosconsiderados na sua actividade, naturalmente reforçaráa luta de massas da juventude, objectivo fundamental da nossaintervenção. Intensificar a luta da juventude, peranteo crescendo da ofensiva, é um imperativo! Ser a vanguarda daluta da juventude é um dever de todos os comunistas e umcompromisso com a concretização das aspiraçõesdo povo e dos jovens. Continuar a animar esta luta e reforçá-la,com todo o empenho que cada um de nós pode dar, écontribuir para a luta mais geral do povo, e é dar mais passosna direcção da sociedade que queremos – o socialismo,rumo ao comunismo!

Todoo espírito do 9.º Congresso reafirmou e dá-nosconfiança para acreditar que a «A juventude é achama mais acesa da Revolução», deixando-nos aresponsabilidade, mas também o compromisso, da vanguarda daluta dos jovens. Confiamos na juventude, na sua capacidade deresistência e luta, e assumimos que animaremos esta lutadiariamente, reafirmando que somos a organizaçãojuvenil do Partido. As palavras de Álvaro Cunhal no 1.ºCongresso da JCP, deixam explicito este compromisso para com ajuventude – «Do coração desejamos que aJuventude Comunista, com os pés assentes na terra, tenhacapacidade para sonhar e força e determinaçãopara transformar o sonho em vida».

Estatarefa árdua, mas exaltante, de transformar o sonho em vida,exige a militância e o envolvimento de todos os camaradas nocumprimento das linhas de trabalho saídas do nosso Congresso,com a plena convicção de que é justa e possívelesta luta. E mais que isso – a juventude e o povo portuguêsterá capacidade para levá-la avante!

Poderemosdizer também, que a conclusão da ResoluçãoPolítica aprovada, espelha o que foi o nosso Congresso e estecompromisso para o futuro – «A Juventude ComunistaPortuguesa, pelo seu ideal, prática e característicasde militância, camaradagem e amizade, confirma-se mais uma vezneste seu 9.º Congresso, como a organizaçãorevolucionária da juventude portuguesa. Estamos e estaremossempre lado a lado com a juventude portuguesa nas escolas, nasempresas, nas ruas e onde for preciso, para a construçãode um país e um mundo sem classes, sem exploradores nemexplorados, de direitos, de paz e de solidariedade para todos, umpaís e um mundo socialistas, rumo ao Comunismo!». Aotrabalho camaradas!