Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 313 - Jul/Ago 2011

Por uma política patriótica e de esquerda - A luta continua

por Revista o Militante

Situando-o no contexto muito difícil em que travámos a campanha eleitoral, o Comité Central valorizou o resultado da CDU e chamou o Partido, a todo os níveis, a examinar o trabalho realizado e o resultado alcançado na esfera de intervenção de cada organização e a tirar lições para o reforço do Partido, para a melhoria do seu trabalho unitário, para estreitar a sua ligação com os trabalhadores e as massas. Uma conclusão está já apurada pelo CC em termos nacionais: o PCP com os seus aliados na CDU realizou, no fundamental, a campanha que se propôs realizar, mais candidatos participaram activamente na campanha, o colectivo partidário envolveu-se mais nas acções de propaganda e esclarecimento, foi-se muito mais longe no contacto directo e no diálogo com as pessoas. Ao contrário dos partidos da troika que tudo fizeram para iludir as suas responsabilidades na situação do país e para que o debate eleitoral passasse ao lado das questões candentes da sociedade portuguesa, fomos ao encontro dos problemas dos trabalhadores, do povo e do país, empenhamo-nos numa grande acção de esclarecimento dirigida ao espírito crítico e à inteligência dos portugueses, realizámos realmente uma grande campanha política de massas da qual há que retirar o maior número possível de ensinamentos. Na análise dos resultados eleitorais em cada freguesia, concelho, distrito há que ter presentes as circunstâncias gerais que pesaram nas opções do eleitorado, particularmente o contexto ideológico adverso e o comportamento funesto dos grandes meios de comunicação social. Mas há que avaliar outros factores que (mesmo sabendo que a correlação da influência social e eleitoral é tudo menos linear) para um partido de classe como o PCP pesam decisivamente na construção da sua influência política e eleitoral: a organização, a começar pelas empresas e locais de trabalho, e a ligação do Partido com as massas, a começar pela qualidade da intervenção dos seus militantes nas organizações do movimento popular e, num outro plano, dos seus eleitos no poder local democrático. O Comité Central concluiu sobre a importância da orientação imprimida à campanha eleitoral da CDU com a acção «Um milhão de contactos por uma política patriótica e de esquerda». O balanço deve ser feito em cada organização no concreto. Haverá casos em que não se terão ainda desta vez vencido rotinas e enconchamentos e mesmo a resistência de responsáveis e quadros desabituados de um diálogo vivo e paciente com aqueles que queremos trazer para o nosso lado. Mas o traço dominante de Norte a Sul do país é o de que foram dados passos muito importantes para a viragem que se impõe no trabalho quotidiano do Partido entre as massas, em que vigore o princípio de que «o Partido está onde estiver um comunista» e em que, no quadro do centralismo democrático, se desenvolva uma cultura de mais iniciativa, mais militância, e ainda maior atenção ao recrutamento (sem o que não poderemos chegar a muitas empresas e rejuvenescer as nossas fileiras), ao trabalho nos sindicatos e outras organizações unitárias, à defesa dos interesses dos trabalhadores e das populações. Durante a campanha eleitoral «semeámos» muito, chegámos mais longe do que habitualmente, travamos muitos conhecimentos, ficámos com muitas «pontas»; trata-se agora de capitalizar o trabalho realizado e cuidar da organização e da intervenção do Partido. O Partido saiu das eleições de 5 de Junho mais forte para prosseguir a luta, encorajado pelo ambiente de simpatia que rodeou a campanha da CDU, animado pelo resultado alcançado, com uma boa dinâmica de intervenção que é necessário manter mesmo em período estival, unido em torno de uma linha política justa, a única capaz de reconduzir o povo português pelos caminhos de liberdade, progresso social e soberania nacional que Abril abriu. Perante a extraordinária gravidade da situação do país, perante a violência da ofensiva contra os direitos e condições de vida dos trabalhadores, perante a pilhagem organizada dos frutos do trabalho e da propriedade pública, perante o assalto à soberania e à independência nacional, perante os ataques à Constituição e ao regime democrático que ela consagra, a honra e a esperança do povo português numa vida melhor está no PCP, na sua natureza de classe, na sua capacidade para unir em torno da classe operária as outras classes e camadas antimonopolistas e para mobilizar as novas gerações que não viveram o 25 de Abril e a quem é escondido o seu valor histórico libertador. Mas só podemos contar com a agudização da luta de classes. A difícil situação do país tende a agravar-se rapidamente. A troika tem pressa em implementar o seu programa de espoliação e o novo Governo, com o concurso do PS, anunciou há muito a sua intenção, não só de o aplicar integralmente como de ir ainda mais longe, tirando do calvário da Grécia precisamente a conclusão contrária que deveria tirar, ou seja: a necessidade da urgente renegociação da dívida que o PCP propõe. Tudo isto como se de uma fatalidade se tratasse, como se não existisse outro caminho que não o imposto pela alta finança internacional que insiste em descarregar sobre os trabalhadores e os povos o custo da crise em que o capitalismo se debate; como se o Euro e a União Europeia, confirmando as análises do PCP sobre a sua natureza, contradições e negativas consequências para a economia e a soberania nacional, não se encontrassem a braços com uma crise profunda. Só a instrumentalização do aparelho de Estado e a manipulação da comunicação social, só o medo e o conformismo forjados pela coação económica e a degradação da situação social, só por essa via é possível criar um ambiente ideológico desfavorável à compreensão por grandes massas da sua real situação, suas causas e responsáveis e os caminhos para a sua superação. Não fora isto e os resultados das eleições teriam sido certamente bem diferentes. A luta vai continuar e certamente intensificar-se na medida em que as duríssimas consequências sociais do Memorando de Entendimento com que o PS, PSD e CDS se comprometeram sejam mais visíveis e mais evidente a natureza anti-popular, anti-nacional e anti-democrática da política do poder. O PCP, no plano político, e a CGTP, no plano social, são sem dúvida as grandes forças com que os trabalhadores e o povo português podem contar para resistir e derrotar a ofensiva do grande capital e do seu governo de serviço. Por isso mesmo é de esperar a intensificação de todo o tipo de pressões e manobras de diversão ideológica visando desviar a luta dos trabalhadores de uma clara orientação de classe, enfraquecer a determinação combativa de dirigentes e quadros, diluir em ilusórios projectos «unitários» e de «esquerda» a mensagem e propostas alternativas, propostas que só podem ser de ruptura com as políticas de direita e de luta por uma política patriótica e de esquerda. A mais ampla unidade na acção de massas tem de ser acompanhada da mais clara afirmação de independência política, ideológica e organizativa. Essa uma das mais valiosas aquisições do movimento operário português e da Revolução de Abril. Conscientes da gravidade e complexidade da situação vamos ao trabalho com confiança. Vamos reforçar as raízes populares do Partido. Vamos lutar na Assembleia da República e fora dela para derrotar cada uma das funestas medidas do programa da troika. Vamos preparar com redobrado entusiasmo a Festa do «Avante!», que será a Festa do 90.º aniversário deste partido indispensável aos trabalhadores e ao povo.