Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

PCP, Edição Nº 313 - Jul/Ago 2011

A imprensa do PCP na luta contra o fascismo e pela liberdade

por Revista o Militante

Um país como Portugal, onde tinham sido suprimidas as mais elementares liberdades, onde vigorava um rigoroso sistema de censura, a imprensa clandestina editada pelo PCP tornou-se num elemento essencial para acompanhar a vida política nacional e internacional, para tomar conhecimento de acontecimentos tão importantes como a Guerra de Espanha, a II Guerra Mundial, a luta anti-colonial, a vida e obra na URSS e, sobretudo, para a compreensão do que foi a ditadura fascista, quem foram os seus principais beneficiários e apoiantes, e quão longa e heróica foi a resistência dos trabalhadores e do povo português contra o fascismo e pela liberdade, luta na qual os comunistas ocuparam um lugar sem qualquer paralelo com qualquer outra força política. Os «Prelos da Liberdade», que imprimiram, ao longo de 48 anos, milhões de exemplares de folhetos, manifestos, comunicados, circulares, e em particular os jornais e boletins periódicos, materiais sempre impressos em Portugal, venceram todo um aparelho policial montado e treinado para a sua liquidação, tornando-se num feito único no país e no panorama do movimento comunista e revolucionário internacional. Por isso, e muito justamente, consideramos que os «Prelos da Liberdade» devem fazer parte integrante do património da resistência antifascista, da luta pela liberdade. Esta vitória sobre tão poderoso aparelho policial só se tornou possível porque o PCP foi capaz de erguer todo um aparelho técnico assente num conjunto de tipografias clandestinas e um aparelho de distribuição cujo funcionamento foi assegurado por dedicados militantes comunistas, alguns dos quais pagaram com a própria vida a realização desta sua tarefa. No conjunto dos cerca de 200 títulos atingidos pelas publicações periódicas, contam-se os órgãos centrais do Partido e da juventude, boletins de organização e de formação teórica, boletins destinados a importantes sectores sociais e profissionais – caso dos agricultores, dos corticeiros, têxteis, ferroviários, militares, estudantes –, boletins de células de empresa, de sectores unitários, etc. Neste vasto conjunto de publicações, salientamos, pela sua natureza e papel particular, o jornal Avante!, órgão central do Partido, e os «Jornais da Prisão», jornais manuscritos feitos nas próprias cadeias fascistas. O Avante!, cujo 80.º aniversário se comemora este ano, é o jornal comunista clandestino que em todo o mundo se publicou durante mais anos e que foi sempre produzido no interior do país. Os 556 números e 103 suplementos do Avante! clandestino, publicados entre 15 de Fevereiro de 1931 e 25 de Abril de 1974, orientaram e mobilizaram as lutas da classe operária e de todos os trabalhadores em pequenas e grandes batalhas contra a exploração e o fascismo, orientaram e mobilizaram amplos sectores democráticos empenhados com os comunistas numa política de unidade antifascista, na conquista da liberdade. Os jornais manuscritos feitos clandestinamente por presos políticos comunistas, entre 1934 e 1945, nas prisões de Peniche, de Caxias, na Penitenciária de Lisboa, na cadeia de Monsanto, no Aljube e em Angra do Heroísmo, abrangendo 18 títulos e cerca de 200 números, são também caso único no movimento revolucionário internacional. Pese embora a sua especificidade, eles não deixam de ter um valor histórico, político e cultural inquestionável. Feitos nas cadeias fascistas por presos comunistas, deram a conhecer as lutas travadas no interior das próprias cadeias fascistas, contribuindo para a coesão e unidade da massa prisional, para a preparação cultural, política e ideológica e para a elevação da combatividade e organização dos presos. Na impossibilidade, pela extensão que ocuparia, de fazer uma referência a cada um dos periódicos existentes, foram seleccionados apenas uns tantos títulos, indicando-se entre parêntesis a data do início da sua publicação e apresentando-se o fac-simile do cabeçalho de alguns deles, por vezes repetidos para mostrar as alterações por que passaram os logotipos. O Comunista, Primeiro Órgão Central do PCP (16 de Outubro de 1921). Bandeira Vermelha, Órgão da Organização do Porto do PCP (Agosto de 1925). Páginas Vermelhas, Boletim mensal teórico e informativo da C.C.E. Provisória do PCP (Maio de 1929). Solidariedade, Boletim de Informação e Propaganda (Socorro Vermelho Internacional), 1930. Avante!, I Série, Órgão Central do PCP (15 de Fevereiro de 1931). O Jovem, Órgão Central da Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas (1931). O Soldado Vermelho, Órgão das células do PCP (1932). O eléctrico vermelho, Boletim do secretariado da célula da Carris (Abril de 1932). O Metalúrgico, Órgão Sindical Unitário das Indústrias Metalúrgicas (1934). O Marinheiro Vermelho, Órgão das células do PCP na Marinha de Guerra – O. R. A. (1934). Boletim Inter-Prisional, Órgão dos presos comunistas do Aljube (1934). Avante!, II Série, Órgão Central do PCP (Julho de 1934). Front Mundial, Órgão da Liga contra a guerra e contra o fascismo – Secção portuguesa (Outubro de 1934). A Voz do Soldado, Órgão da Organização Revolucionária do Exército – O. R. E. (Maio de 1936). Carril Vermelho, Órgão dos presos comunistas da Carris (Julho de 1936). Notícias Vermelhas, Página informativa do PCP (S. P. I. C.), (Janeiro de 1939). O Militante, Boletim de Organização do PCP (Julho de 1941). Avante!, VI Série, Órgão Central do PCP (Agosto de 1941). M. U. D., Boletim da Comissão Distrital de Estudantes (Janeiro de 1946). 3 Páginas, Boletim interno para as camaradas das casas do Partido (Janeiro de 1946). O Leme, Órgão do Movimento de Unidade Nacional da Armada (Maio de 1946). O Camponês, Órgão de Unidade dos Camponeses (Maio de 1947). O Camponês das Beiras, Órgão Livre da Unidade dos Camponeses Beirões (Setembro de 1947). Patria Livre, Órgão de Unidade para as Forças Armadas (Julho de 1948). A Terra, Órgão de Unidade dos Camponeses do Norte (Janeiro de 1949). Paz, Comissão do Porto para a Defesa da Paz (1951). Tribuna Militar, Órgão da Comissão de Unidade Militar. Jóvem Trabalhador, Boletim da Comissão Concelhia de Lisboa dp MUD Juvenil (Maio de 1951). Unidade!, Boletim da Comissão Central do Movimento Nacional Democrático (Julho de 1951). O Corticeiro, Órgão de Unidade da Classe Corticeira (Julho de 1955). O Textil, Órgão de Unidade da Classe Têxtil (Janeiro de 1956). A Voz das Camaradas, Boletim das casas do Partido (Junho de 1956). Tribuna Livre, Órgão Nacional das Juntas de Acção Patriótica (Abril de 1961). Amanhã, Jornal de Jovens para todos os Jovens (Novembro de 1961). Jornal Anti-Colonial (1964).