Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Organização, Edição Nº 315 - Nov/Dez 2011

Mais organização e intervenção nas empresas e locais de trabalho

por Revista o Militante

1. A situação actual comporta grandes exigências, é necessário um Partido mais forte e há condições para o seu fortalecimento.
O Partido Comunista Português é o partido da classe operária e de todos os trabalhadores, decorre da sua natureza de classe, objectivos e projecto a importância central que dá ao esclarecimento, à unidade, à organização e luta dos trabalhadores, que dá à organização e intervenção do Partido nas empresas e locais de trabalho.

Esse é um elemento essencial de sempre do nosso Partido, reafirmado pelo XVIII Congresso e na acção «Avante! Por um PCP mais forte».

2. Neste trabalho, para uma acção eficaz é indispensável conhecer a realidade da exploração, das características das empresas e locais de trabalho, da situação geral dos trabalhadores. Apenas como ilustração de mudanças e traços da realidade actual, é importante ter em conta aspectos como a precariedade e o desemprego, a composição etária dos trabalhadores, o grau da participação das mulheres no trabalho, ou a dimensão das empresas e grau de concentração dos trabalhadores.

Dados recentes, do segundo trimestre deste ano, referem a existência de cerca de 2 milhões 980 mil trabalhadores com contracto permanente, mais de 1 milhão e 200 mil com vínculos precários diversos e cerca de 1 milhão de desempregados. Considerando que estão referenciados nos trabalhadores com contracto permanente aqueles que exercem funções de direcção e chefia ao nível mais elevado das empresas, com o que isso significa, estes dados revelam que o número de trabalhadores sem funções de direcção e chefia com contractos permanentes é pouco superior aos trabalhadores com vínculos precários e desempregados. Quer isto dizer que, no desenvolvimento da acção partidária, é preciso encontrar soluções adequadas para uma situação de elevados níveis de precariedade e desemprego.

Outro dado importante tem a ver com a composição etária dos trabalhadores. Falamos dos trabalhadores portugueses e dirigimo-nos especificamente às novas gerações de trabalhadores, o que é correcto, mas é necessário ter presente que quando falamos de trabalhadores estamos a falar no essencial das novas gerações. De facto, na população empregada quase 60% são trabalhadores com menos de 45 anos e cerca de 31% com menos de 35 anos. Quando falamos de trabalhadores, falamos fundamentalmente deles, já que as gerações mais velhas, acima dos 45 anos, representam pouco mais de 40% do total da população empregada. Esta realidade cruzada com os acontecimentos marcantes das últimas décadas revela diferenciados registos de memória histórica que é preciso ter em conta no trabalho para a organização, unidade e luta dos trabalhadores e para o desenvolvimento da sua consciência de classe e política.

Elemento importante é também a proporção das mulheres no conjunto dos trabalhadores. O número de mulheres a trabalhar é pouco menor que o dos homens e em importantes sectores de actividade e empresas há um número amplamente maioritário de mulheres. E, para além deste seu peso no efectivo dos trabalhadores, as mulheres são a maioria dos trabalhadores que se sindicalizam. A sua responsabilização e participação é condição necessária para o fortalecimento da organização dos trabalhadores e para o reforço do Partido.

Outro elemento importante é que a grande maioria dos trabalhadores está em pequenas e médias empresas, o que exige, na organização dos membros do Partido, sem deixar de procurar constituir células com os camaradas de uma empresa, o recurso à constituição de sectores profissionais ou de empresa, ou de células que integrem trabalhadores de várias empresas.

Entretanto, existem grandes empresas com milhares de trabalhadores, quer concentrados, quer em múltiplos locais de trabalho no plano nacional, bem como grandes concentrações de trabalhadores num mesmo local de trabalho ou zona, em alguns casos mais de 10 mil, onde estão trabalhadores de diferentes empresas que exigem soluções de organização adequadas.

São apenas alguns exemplos de uma realidade que temos que conhecer e actualizar permanentemente, com a consciência que as dificuldades e obstáculos que existem não são impossibilidades, que é nestas condições que temos de intervir e organizar, para resistir e avançar, aproveitando as potencialidades que se colocam.

3. A prioridade do reforço da organização e intervenção do Partido junto da classe operária e dos trabalhadores, nas empresas e locais de trabalho foi inscrita nas conclusões do XVIII Congresso e na Resolução do Comité Central «Avante! Por um PCP mais forte» de 21 e 22 de Novembro de 2009, com a fixação de orientações e tarefas.

Consolidar, responsabilizar e ampliar o número de quadros, incluindo funcionários do Partido, que assumam a prioridade desta tarefa, garantindo a existência de um responsável para cada empresa ou sector prioritário.

Dar atenção especial e direccionar esforços para as empresas com mais de mil trabalhadores e/ou de importância estratégica; constituir novos sectores profissionais e de empresa e criar células, encontrando para isso as formas que mais se adequem a cada realidade (designadamente a partir de empresas, agrupamentos de empresas e locais de trabalho).

Aumentar o número de militantes organizados nas empresas e locais de trabalho, a partir do recrutamento direccionado dos trabalhadores que mais se destacam, da inserção prioritária no local de trabalho dos novos militantes e da transferência de membros do Partido com menos de 55 anos.

Aumentar a presença do Partido nas empresas através da edição regular de documentos, em particular nas que se definem como prioritárias.

4. Foi neste contexto que se realizou recentemente uma reunião nacional de quadros, para troca de experiências sobre o trabalho do Partido nas empresas e locais de trabalho.

Uma reunião que revelou um conjunto de experiências importantes de sectores, de células, do trabalho e iniciativa de organizações e militantes.

Experiências sobre a intervenção e iniciativa para desenvolver o trabalho organizado do Partido, o contacto regular à porta das empresas e de como os contactos estabelecidos contribuem para implantar o Partido.

Experiências sobre o trabalho em empresas ou locais de trabalho onde há um número reduzido de membros do Partido activos; a acção em locais de trabalho com elevada precariedade e estatutos laborais e vínculos empresariais diversificados; a criação e funcionamento de células; as formas de organização e de funcionamento; a estruturação de organização, ligação e contacto em situações de secções diversas e turnos.

Experiências sobre a acção dos comunistas nos ORT e o seu papel e contributo na intervenção directa do Partido.

Experiências sobre as formas de ligação aos trabalhadores, a propaganda, informação, agitação e difusão da imprensa partidária, o trabalho e intervenção da JCP e dos jovens comunistas e sobre o recrutamento e a integração de novos militantes, como tarefa da maior importância na implantação, organização e intervenção do Partido.

Coloca-se a necessidade de intensificar as medidas a partir das Direcções das Organizações Regionais e o envolvimento de todas as organizações do Partido neste trabalho.

Um trabalho assente no esforço, dedicação, criatividade, coragem e militância de muitos membros do Partido para construir um Partido mais forte nas empresas e locais de trabalho. Sempre com o objectivo de fortalecer a unidade, organização e luta dos trabalhadores e elevar a sua consciência de classe e política. Sempre para a afirmação do ideal e projecto comunista.