Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 354 - Mai/Jun 2018

Compreender para transformar

por Revista «O Militante»

Em 5 de Maio passam duzentos anos sobre o nascimento de Karl Marx, o fundador do materialismo dialéctico e histórico, do socialismo científico e do movimento comunista e revolucionário internacional. Para assinalar a efeméride, O Militante publica neste número o artigo de Engels, Karl Marx, prestando assim também homenagem ao seu inseparável companheiro de vida, de ideias e de luta.

Assinalamos esta data histórica com a mais profunda admiração e respeito por aquele que foi o maior intelectual e revolucionário do seu tempo, como tributo a uma vida em que ciência e luta, teoria e prática, são indissociáveis e que nos legou uma obra de inestimável valor para a nossa intervenção na actualidade.

Dois séculos depois do seu nascimento, à distância de 170 anos da publicação do Manifesto do Partido Comunista e de 151 anos da publicação do Livro I de O Capital, num mundo que entretanto conheceu profundas transformações, o pensamento de Marx, revela uma extraordinária vitalidade nos seus princípios e conceitos fundamentais.

E isso acontece precisamente porque a nova concepção do mundo elaborada por Marx, o marxismo, é uma concepção científica, enraizada no próprio devir social, intrinsecamente anti-dogmática, em constante desenvolvimento e enriquecimento em função dos novos conhecimentos e das novas experiências da prática revolucionária, que na época da passagem do capitalismo à sua fase imperialista conheceu uma tão importante contribuição de Lénine que o seu nome ficou associado ao de Marx no conceito de marxismo-leninismo.

Aprofundar o conhecimento da obra de Marx e promover a sua divulgação, é o melhor modo de honrar a memória de Marx, fazendo-o não voltados para o passado, mas para o presente e o futuro da nossa luta. É esse o objectivo do vasto conjunto de iniciativas promovidas pelo PCP ao longo de todo o ano, que se iniciaram em 24 e 25 de Fevereiro com a Conferência na Voz do Operário, tendo como lema «II Centenário do nascimento de Karl Marx – Legado, intervenção, luta. Transformar o mundo».

A Marx devemos os instrumentos fundamentais para compreender de onde vimos e para onde vamos, a certeza de que estamos do lado certo da História, mas devemos-lhe também um célebre apelo à intervenção transformadora e revolucionária: «Os filósofos têm interpretado o mundo apenas de diversos modos; trata-se, porém, de o transformar». O empenho militante e a forte dinâmica de intervenção do PCP têm tudo a ver com esta 11.ª tese formulada por Marx nas suas Teses sobre Feuerbach.

Passada mais de metade de uma legislatura em que, com o PSD e o CDS em minoria e o PS sem maioria absoluta na Assembleia da República, e com a iniciativa do PCP e a influência da luta popular, foi possível recuperar direitos e vencimentos que, mesmo aquém do que seria possível e desejável, devem ser valorizados, a evolução da situação nacional coloca com redobrada exigência o reforço da luta de massas e o reforço do Partido.

A prova está feita quanto à grande importância de se ter interrompido a criminosa política anti-popular do anterior governo e de como, ao contrário do que apregoa o patronato, a melhoria das condições de vida das massas favoreceu o desenvolvimento económico do país. Mas também o está quanto à natureza de classe do PS e do seu governo minoritário que continua manifestamente comprometido com os interesses do grande capital e com as imposições externas, sejam elas da União Europeia ou da NATO. Isso é particularmente visível e grave em relação às questões laborais em que o PS coincide quase sistematicamente com os partidos da direita, como sucedeu na chocante votação para derrotar as propostas do PCP de alteração a normas gravosas da legislação do trabalho. Argumentando com o défice, não há dinheiro para a solução de gravíssimos problemas e estrangulamentos no SNS, para a Cultura, para o aumento dos salários dos trabalhadores da Função Pública, mas para encher os bolsos do grande capital não faltam centenas de milhões de Euros para a Banca. E ao mesmo tempo que o PSD e o CDS se empenham, com a ajuda do próprio PR, em branquear a criminosa política do anterior governo, crescem os sinais de reconstituição, formal ou informal, do bloco central de interesses, já em marcha em torno de matérias como a chamada descentralização administrativa, ou os fundos comunitários. Aumenta a desfaçatez das campanhas promovidas pelo grande patronato para impedir um justo aumento de salários, a revogação das normas gravosas do código do trabalho, ou cortes nos privilégios aos grupos económicos.

A tenaz resistência do Governo do PS em ir ao encontro das instantes reivindicações dos trabalhadores e das populações está a provocar crescente descontentamento e uma onda de lutas envolvendo sectores sociais muito diversos, sendo de registar importantes lutas como as dos profissionais da Saúde, dos professores, dos trabalhadores da Função Pública, dos Transportes, das grandes superfícies, da Hotelaria e Alimentação, da Cultura e muitas outras, com destaque para importantes e combativas greves em empresas como no caso da Ryanair, num crescendo que certamente conduzirá a um grande e combativo 1.º de Maio. A importância decisiva da luta de massas para impor novos avanços em matéria de direitos e rendimentos é evidente, e a sua elevação a um nível superior é indispensável para alcançar a ruptura com a política de direita e com os constrangimentos externos, indispensável para atacar os problemas estruturais do país que persistem e para a viragem que se impõe na vida nacional com a concretização da política patriótica e de esquerda preconizada pelo PCP.

O desenvolvimento da luta de massas e o reforço do Partido estão intimamente ligados. «Lutar e Organizar, Organizar e lutar» é uma provada consigna que o Partido está empenhado em levar à prática. Os trabalhadores e o povo precisam de um PCP mais forte no plano orgânico e no plano da sua influência social, política e institucional. Para isso é necessário persistir nas tarefas apontadas na Resolução do Comité Central de 20 e 21 de Janeiro «Sobre o reforço do Partido – Por um PCP mais forte e mais influente», nomeadamente no trabalho voltado para as empresas e locais de trabalho, concretizando a campanha dos 5000 contactos, dinamizando a luta lá onde o conflito entre o capital e o trabalho é mais frontal, prosseguindo com a campanha «Valorizar os trabalhadores. Mais força ao PCP». Ao mesmo tempo, há que promover as mais variadas iniciativas de diálogo com as diferentes camadas sociais e sectores de actividade, via necessária para aprofundar o conhecimento dos seus problemas e aspirações e a ligação do Partido às massas. O contacto com as populações das áreas afectadas pelos incêndios ou com os trabalhadores da Cultura são, entre muitos outros, exemplos que importa valorizar.

Na presente conjuntura, a frente da luta pela paz e solidariedade internacional reveste-se da maior importância. A escalada de confrontação e de guerra promovida pelo imperialismo atingiu uma tal dimensão que o mundo está colocado perante o perigo de um conflito militar de catastróficas proporções. A agressão militar à Síria que o PCP firmemente condenou, é uma operação aventureira particularmente alarmante. É necessário agir com determinação para fazer recuar os fautores de guerra e defender a paz. É preciso intensificar a solidariedade com o martirizado povo sírio que luta em defesa da soberania e integridade do seu país, assim como com todos os povos que da Venezuela ao Brasil ou à Palestina enfrentam a ingerência e a agressão imperialista. É preciso exigir do Governo e dos restantes órgãos de soberania que, no respeito pela Constituição, rejeitem o envolvimento de Portugal na estratégia agressiva da NATO, dos EUA e das grandes potências da União Europeia e defendam uma política de desarmamento, paz e cooperação. Valorizando as importantes iniciativas unitárias que têm tido lugar, o PCP apela a intensificar a acção nesta importante frente de luta.