Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Organização, Edição Nº 354 - Mai/Jun 2018

5000 contactos! Com ousadia e determinação

por João Frazão

«1. O Partido Comunista Português (PCP), fundado em 6 de Março de 1921, é o partido político do proletariado, o partido da classe operária e de todos os trabalhadores portugueses.

2. O PCP é a vanguarda da classe operária e de todos os trabalhadores. O papel de vanguarda do Partido decorre da sua natureza de classe, do acerto das suas análises e da sua orientação política, do projecto de uma nova sociedade, da coerência entre os princípios e a prática e da capacidade de organizar e dirigir a luta popular em ligação permanente, estreita e indissolúvel com as massas, mobilizando-as e ganhando o seu apoio1

Destas consignas que abrem os Estatutos do PCP decorrem consequências e obrigações para a acção e intervenção do Partido. Estamos a falar do que tem de ser o coração do Partido, do garante da sua natureza de classe, enquanto partido da classe operária e de todos os trabalhadores, da sua identidade enquanto partido comunista, da sua ideologia marxista-leninista, que identificou o papel da classe operária na transformação da sociedade e na construção do nosso devir colectivo.

Estamos a falar do elemento central para assegurar a dinamização e a concretização na boa direcção da luta de classes, lá onde se dá a contradição central entre o trabalho e o capital.

Estamos a falar do motor central da luta de massas, que assegura, há quatro décadas (para não ir mais longe), a resistência à contra-revolução, à brutal ofensiva das forças do capital, à política de direita, e que derrotou, no plano social, o Governo PSD/CDS e os caminhos da troika que o PS lhe abriu e que foi a peça fundamental para garantir a sua derrota no plano eleitoral.

Estamos a falar da classe operária e dos trabalhadores que têm hoje, e terão no futuro, na luta pela alternativa patriótica e de esquerda que o nosso Partido propõe ao povo português, um papel central e que constitui a força essencial para a Democracia Avançada, como prevemos no Programa do Partido e para o caminho da construção do socialismo.

Sendo estes elementos conhecidos de todos, e tendo mesmo sido desvendados, nas suas linhas fundamentais, por Marx e Engels, não constituindo portanto novidade, é preciso sublinhar que nada disto acontecerá por fatalidade ou inércia, exigindo da organização partidária condições para a sua concretização.

Não basta a afirmação estatutária ou programática 2 de que se é o Partido da classe operária e de todos os trabalhadores. É necessário não apenas ter uma orientação política de intransigente defesa dos seus interesses e direitos, mas, principalmente, assegurar a sua participação organizada, desde logo na vida do Partido, mas também na vida da sociedade.

É preciso confirmar na prática que se confia na tese marxista de que só a classe operária é uma classe verdadeiramente revolucionária, e de que apenas ela pode dirigir a luta pela superação revolucionária do capitalismo.

É necessário assegurar uma forte componente de operários e trabalhadores a todos os níveis de direcção e organização do Partido, capaz de dirigir a luta de classes, que é o motor da transformação social.

O PCP pode orgulhar-se da sua natureza de classe e da sua intervenção. Mas tal realidade não ilude as dificuldades, os atrasos, as insuficiências no trabalho e na organização do Partido nas empresas e locais de trabalho.

Na reunião de 24 e 25 de Janeiro de 2018, o Comité Central, tendo presente a decisão do XX Congresso de assumir como «prioridade essencial do trabalho partidário» a «adopção de medidas para o reforço da organização e intervenção do Partido junto da classe operária e dos trabalhadores», identificou um conjunto de linhas de trabalho, de que aqui se destaca a acção de contacto com 5000 trabalhadores para lhes colocar a importância de aderirem ao Partido.

Esta tarefa não se confunde como o objectivo de recrutar 5000 novos trabalhadores, ainda que, para dar resposta às múltiplas exigências, não fossem demais.

Mas também não se trata da mera, mas importante, distribuição de 5000 comunicados do Partido à porta de empresas. Seguramente faremos muito mais do que isso.

Do que se trata é de assegurar, na vida do Partido, um novo estilo de trabalho que ponha as organizações partidárias, como um todo, e cada um dos militantes em concreto, a conversar, a esclarecer, a ouvir e a convencer outros. A falar-lhes da exploração, da política de direita ao serviço dos interesses do capital, da política alternativa, do sonho milenar de uma sociedade nova, e do Partido que trabalha para lhe dar corpo e da necessidade que o Partido e a luta têm que esse trabalhador ingresse nas suas fileiras e da necessidade que esse trabalhador tem de estar organizado, a intervir para a sua emancipação.

Um estilo de trabalho que exige ousadia, planificação, determinação e controle de execução.

Ousadia na discussão nas organizações sobre os trabalhadores a abordar, no levantamento nominal, com o contributo de cada militante.

Cada membro do Partido deve olhar à sua volta, entre os colegas de trabalho que participam nas lutas promovidas pelo Movimento Sindical Unitário, mas também entre os amigos, vizinhos e familiares que, sendo trabalhadores por conta de outrem, demonstrem interesse nos problemas que os envolvem.

Particular atenção deve ser dada aos membros dos Organismos Representativos dos Trabalhadores (ORT). Quer aos que são membros do Partido, que têm um potencial de contactos muito largo, e devem por isso assumir amplos objectivos de contactos, quer, principalmente, aos que ainda não são membros do Partido e que devem ser considerados alvos prioritários.

E também a todos os que participam na luta que se desenvolve nas empresas e sectores e, entre eles, aos mais combativos, aos que revelam maior firmeza de classe, aos que procuram mobilizar e envolver os seus colegas de trabalho.

Ousadia, para além disso, no contacto individual. É indispensável que milhares de membros do Partido percam o acanhamento que se apoderou deles, e assumam a sua condição de comunistas no convite a outros para aderirem ao Partido.

Ousadia, ainda, no encontrar dos argumentos adequados a cada caso, para ganhar esses trabalhadores para a importância da sua adesão para o reforço da organização e da capacidade realizadora do Partido e para a ideia de que é também necessária, para a resolução dos seus problemas e dos seus colegas enquanto trabalhadores, a sua militância no PCP.

Planificação para estabelecer objectivos concretizáveis por colectivo e por militante, para definir prazos e metas intermédias e para, levantados os nomes, se identificarem quem são os camaradas mais adequados para assumir essa tarefa, estabelecendo compromissos com cada um.

Determinação para garantir que, perante as exigências das tarefas diárias, de resposta à situação política e social, de propaganda, de recolha das quotizações, de venda do Avante! e de O Militante, não se adiam estes contactos para um momento aparentemente mais oportuno, sempre mais à frente. Tal exige uma visão integrada das tarefas do Partido, designadamente pela articulação destes contactos com o conjunto das prioridades, e em particular a campanha «Valorizar os Trabalhadores. Mais força ao PCP», a propósito da qual se farão iniciativas em milhares de empresas!

Necessária, ainda, determinação para voltar a tentar sempre que uma conversa falha, sempre que o contacto não aparece, sempre que a conversa não é conclusiva e deixa uma ponta de possibilidade de ser bem sucedida.

Finalmente, o controle de execução é indispensável para que, com regularidade, se tomem as medidas adequadas à superação de atrasos e dificuldades.

Entretanto, é necessário sublinhar que a acção dos 5000 contactos, sendo uma tarefa que tem de mobilizar cada uma das células de empresa, é uma tarefa para todas as organizações do Partido, designadamente as de base local, que devem também estabelecer os seus próprios objectivos e planos de trabalho. Os membros do Partido organizados na Freguesia ou qualquer outra organização, devem também inserir-se neste trabalho.

Esta é, aliás, uma tarefa que deve ser entendida como uma oportunidade não apenas para reforçar as células já existentes, mas para criar novas células e estruturas do Partido, a partir do recrutamentos que a campanha venha a suscitar.

Dos contactos com estes 5000 trabalhadores, importa referir, não resultarão apenas recrutamentos. Esses, exigem de imediato a sua integração na vida partidária, a definição da célula em que passam a participar, ou as formas de ligação ou os planos de trabalho para a criação de célula no seu local de trabalho. Mas resultarão também muitos homens e mulheres que, não querendo ainda dar o passo de aderir ao Partido, se disponibilizarão para tarefas no plano unitário nos ORT ou no Movimento Associativo Popular, ou para intervenção no quadro da CDU.

Esclarecer, Escutar

Cada conversa, na sua especificidade, procederá à identificação da nova fase da vida política nacional, valorizando todos os avanços e sublinhando as limitações e as suas origens, bem como a necessidade e a possibilidade de ir mais longe, o que só não acontece porque o PS não quer, em função da sua opção de classe ao serviço do grande capital e de submissão ao Euro e à União Europeia; do papel que a luta organizada dos trabalhadores e do povo teve para afastar o PSD e o CDS e interromper o rumo de desastre, exploração e empobrecimento e para obrigar a avanços em favor dos Trabalhadores, do Povo e do País; do papel do PCP com a sua iniciativa e proposta para assegurar o rumo de reposição, defesa e conquista de direitos e rendimentos, não apenas na actual fase, mas para todas as conquistas conseguidas na Revolução de Abril e para a resistência à ofensiva do capital visando a sua eliminação, lembrando que não há nenhuma medida positiva que não tenha a marca e a contribuição decisiva do PCP; de que a acção do PCP é movida pelo compromisso com os trabalhadores e o povo, pelo que, não desperdiçando nenhuma oportunidade para contribuir para novos avanços e conquistas, prossegue a linha de defesa da Política patriótica e de esquerda que inclui um projecto de desenvolvimento tão necessário ao país, em especial o aumento da produção nacional que reduza as importações e crie a riqueza tão necessária para o investimento público e para a melhoria de vida dos trabalhadores e do povo, através das melhorias das funções sociais do Estado da melhoria de salários e pensões; da importância do trabalhador com quem se fala aderir ao PCP, valorizando o papel que pode ter na organização do Partido na empresa onde trabalha.

Mas devem também significar um importante manancial de informação sobre os problemas concretos da empresa ou do local de trabalho do trabalhador contactado, sobre pessoas que ele identifique para serem contactadas, sobre aspectos em que o PCP poderá intervir, sobre as reivindicações que devem estar no centro da luta e sobre as formas de luta a adoptar, tendo em conta as características da empresa, pelo que não deve ser desprezada a componente de relatório de cada uma delas.

A Resolução Política aprovada no XX Congresso, apontou para a tomada de medidas para o reforço da Organização do Partido nas empresas e locais de trabalho, «partindo das condições concretas de intervenção e considerando que os problemas existentes, como o desemprego, a precariedade, a desregulação de horários, a repressão, são dificuldades e não impossibilidades que suscitam a necessidade de organização, intervenção e luta e não o desinteresse ou o alheamento».

É nessa direcção que vai a tarefa que temos agora em concretização!


4.7 – Organização, intervenção, ligação às massas

A imensa experiência do nosso Partido, adquirida na luta em defesa dos trabalhadores e do povo, fornece-nos um vasto conjunto de ensinamentos que deve ser tido em conta nas condições em que hoje lutamos. Um deles é a ligação do Partido às massas, presente de forma destacada nos congressos, na actividade do Partido e considerada como elemento estratégico para o seu crescimento e enraizamento no seio da classe operária e todos os trabalhadores. A ligação às massas é fundamental para o Partido, só com essa forte ligação se tem um efectivo conhecimento da realidade em que age e das questões mais gerais ou específicas que a caracterizam, dos problemas e aspirações dos trabalhadores e do povo. Só assim terá condições de agir para transformar.

Nos últimos anos cresceu muito a consciência sobre a importância deste trabalho para o presente e futuro do Partido e de que uma organização, desligada da vida e do meio de onde emerge e desenvolve a sua actividade, tende a transformar-se num grupo isolado e a definhar sem deixar nada atrás de si. (...)

Identificar e arredar do caminho os bloqueios que impedem o Partido de avançar de forma mais alargada e consequente na sua ligação às massas é, pois, a tarefa prioritária de todos os organismos do Partido.

É na ligação à classe operária, aos trabalhadores em geral e às populações, que as organizações do Partido encontram os quadros tão necessários para alargar e reforçar o trabalho de direcção, e levar à prática as tarefas a que temos de responder.

O trabalho de cada militante na sua acção diária, no contacto junto daqueles com quem se relaciona, é um dos elementos essenciais da ligação e influência do Partido e da sua capacidade de esclarecimento e mobilização.

Da Resolução Política do XX Congresso


Notas:

(1) Artigo 1.º dos Estatutos do Partido Comunista Português.

(2) No Programa do Partido «Uma Democracia Avançada. Os valores de Abril no futuro de Portugal», aprovado no XIX Congresso do PCP, define-se, no IV Capítulo, o PCP como «Partido político e vanguarda da classe operária e de todos os trabalhadores».