Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 356 - Set/Out 2018

Intensificar a luta, dar mais força ao PCP!

por Revista «O Militante»

Com as energias retemperadas por alguma pausa de merecido descanso para a generalidade dos membros do Partido, e com o impulso da nossa sempre bela e estimulante Festa do Avante!, retomamos em cheio a intensa actividade militante que caracteriza o PCP, sempre voltada para a defesa dos interesses dos trabalhadores e do povo, sempre intransigente no combate ao grande capital explorador e às imposições do imperialismo, da União Europeia e do Euro, sempre orientada para o fortalecimento do Partido, da sua organização e da sua ligação com as massas. Não que nestas últimas semanas de maior acalmia no plano político e social o Partido tenha ido de férias, porque não foi, e a sua voz, filtrada embora pela discriminação na comunicação social dominante, fez-se ouvir em todas as questões relevantes da vida nacional e internacional.

A intervenção do PCP na sociedade portuguesa é multifacetada, centra-se sobretudo na luta nas empresas e na rua, está longe de se reduzir à sua actividade no plano institucional, nomeadamente à actividade intensa e qualificada dos seus deputados na Assembleia da República.

Entretanto o balanço da acção do Grupo Parlamentar do PCP durante a sessão legislativa que findou é bem ilustrativo da iniciativa e da influência dos comunistas na reposição de direitos e rendimentos que haviam sido roubados aos trabalhadores, ao mesmo tempo que evidencia a insanável contradição entre a necessidade de prosseguir pelo caminho trilhado e as amarras do governo minoritário do PS aos interesses do grande capital e às imposições do Euro e da União Europeia. Contradição que se torna particularmente flagrante nas questões de classe, como no caso do entendimento entre PS, patronato, UGT e partidos da direita em relação à legislação laboral.

Os artigos que publicamos neste número de O Militante relativos à actividade do Grupo Parlamentar na sua interligação com a luta dos trabalhadores e das populações – «Avançar na luta pela alternativa» – e às questões relativas ao Orçamento de Estado que se encontra ainda em consideração – «Um País que poderia ir mais longe. Notas sobre a economia nacional» – constituem úteis instrumentos de trabalho e de esclarecimento das posições do PCP na tradução prática do seu compromisso identitário que é com os trabalhadores e o povo. Compromisso que, no quadro da actual correlação de forças e correspondente solução política, leve o mais longe possível a reposição e o avanço de direitos e rendimentos e que, simultaneamente, contribua para aquilo que é indispensável a um Portugal com futuro: uma alternativa patriótica e de esquerda que, rompendo com décadas de política de direita do PS, PSD e CDS e com os laços de dependência ao imperialismo, valorize o trabalho e os trabalhadores, promova o desenvolvimento económico e social, assegure a soberania e a independência nacional.

Como bem sabemos este caminho não é fácil nem linear. É necessário combater em múltiplas frentes, desmascarando a hipocrisia do PSD e do CDS, que procuram fazer esquecer o estado em que deixaram o país e capitalizar o descontentamento perante aspectos particularmente negativos da política do governo actual (nomeadamente em relação às responsabilidades sociais do Estado), e, simultaneamente, confrontando o governo minoritário do PS com o facto de, em vez de responder às reivindicações populares e de enfrentar corajosamente os problemas do país, justifica as suas opções de classe e a sua inércia com o estafado argumento de que «não é possível fazer tudo de uma vez», ou «dar o passo maior que a perna», atira para os «reguladores» e outras entidades «independentes» responsabilidades que são suas, e invoca sacrossantos «compromissos nacionais» para prosseguir a submissão aos ditames da NATO e da UE.

Como sempre acontece em relação a quanto signifique real avanço progressista, há que contar com a tenaz resistência dos poderes dominantes, que nada concedem de moto próprio, tudo tem de lhes ser arrancado pela força da organização e da luta. Não há outra solução. Qualquer expectativa de mudança positiva que não assente na acção independente e no reforço do Partido da classe operária e de todos os trabalhadores, e na luta organizada e persistente das massas populares está condenada a uma triste desilusão. Organizar e lutar, lutar e organizar, naturalmente de acordo com as particularidades de cada momento, é hoje, como sempre, directriz central do Partido.

Nesse sentido as orientações e tarefas apontadas pela reunião do Comité Central de 29 e 30 de Junho que O Militante publica neste número, particularmente no que respeita aos capítulos V e VI do comunicado do CC – «Luta de massas – elemento decisivo» e «Iniciativa e reforço do PCP» – merecem a particular atenção dos quadros e militantes do Partido. A relação entre o a luta de massas e o fortalecimento orgânico do Partido é uma constante na História do PCP e um traço forte da sua identidade. É uma relação dialéctica em que assenta a estreita ligação do Partido às massas, o acerto da sua linha política, a sua capacidade de rejuvenescimento e renovação, o mérito de atravessar unido grandes viragens da situação nacional e internacional.

O Partido deve estar preparado para usar e combinar as várias formas de luta e conjugar as diferentes frentes de intervenção e isso exige uma atenção permanente ao trabalho de organização, ao seu funcionamento democrático, à vida política dos organismos, à formação e preparação ideológica de quadros e militantes.

Para estar à altura da exigente situação nacional e da complexa e perigosa situação internacional – uma situação que exerce grande influência na vida política portuguesa, nomeadamente por via das imposições imperialistas em matéria de Política Externa e Defesa – precisamos de persistir na aplicação da Resolução da reunião do Comité Central de Janeiro – «Sobre o Reforço do Partido: Por um PCP Mais Forte e Mais Influente» – controlar a sua execução em todas as organizações, consolidar êxitos e vencer atrasos e deficiências que de nós dependam. Há resultados que confirmam as grandes potencialidades existentes para trazer ao Partido muitos novos militantes, nomeadamente nas empresas e locais de trabalho, para onde deve continuar dirigido o nosso esforço principal, dando particular atenção à campanha dos 5000 contactos e à audaciosa integração dos novos membros do Partido com adequada atribuição de responsabilidades e tarefas.

Os trabalhadores e o povo precisam de um PCP mais forte, quanto mais forte for maior será a sua capacidade para contrariar a política exploradora e predadora do grande capital, sempre ávido de mais riqueza e maior acumulação de capital; para conseguir a reposição de direitos e rendimentos; para alcançar reais melhorias no nível de vida do povo trabalhador e com ele a própria dinamização e crescimento da economia. É uma evidência que quanto maior for a influência do PCP tanto nas instituições, nomeadamente na Assembleia da República, como no desenvolvimento da luta popular de massas, maior será a possibilidade de pesar na vida política nacional. E não apenas para combater a política de direita que há décadas arruína o país, mas para a derrotar. E para finalmente alcançar uma viragem patriótica e de esquerda no caminho da realização do Programa de «Uma democracia avançada, os valores de Abril no futuro de Portugal», parte integrante da luta pelo socialismo e o comunismo, objectivos supremos e razão de ser do nosso Partido. Nas batalhas por objectivos concretos e imediatos, indispensáveis mas de resultados necessariamente limitados no quadro do actual sistema político, esta é a perspectiva militante que temos de ter sempre presente.