Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 358 - Jan/Fev 2019

Tarefas para um novo ano de luta

por Revista «O Militante»

Entramos o ano de 2019 com um denso caderno de encargos, o que coloca ao colectivo partidário grandes exigências de direcção, organização e intervenção e, simultaneamente, com fortes motivos de confiança na possibilidade de alcançar novos avanços na defesa e promoção dos interesses dos trabalhadores e do povo e em direcção à alternativa patriótica e de esquerda que o PCP propõe ao povo português.

Em síntese, esta é a mensagem saída da reunião do Comité Central de 10 de Dezembro, cujo comunicado se publica nesta edição de O Militante. Pelas análises, orientações e decisões que contém, ele constitui um instrumento imprescindível para guiar e unificar a acção prática das organizações do Partido no plano social, político e organizativo e, em particular, para armar os militantes comunistas para a luta ideológica, uma luta que as particularidades e contradições da solução política actual torna particularmente exigente e em que pesa também a perigosa evolução da situação internacional.

Entramos num ano de três campanhas eleitorais e esse facto não pode deixar de marcar fortemente a intervenção do Partido ao longo de todo o ano. Eleições para o Parlamento Europeu em 26 de Maio, para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira em 22 de Setembro, e para a Assembleia da República em 6 de Outubro. É muito grande o esforço exigido às organizações em matéria de planeamento, afirmação e alargamento da CDU, elaboração de listas, recolha de meios financeiros, campanhas eleitorais, fiscalização das urnas, e tanto mais quanto a grande importância das batalhas eleitorais de modo algum pode levar a descurar a luta de massas e o reforço do Partido, áreas decisivas da luta pela alternativa necessária à solução dos graves problemas do povo e do país que têm de estar sempre no primeiro plano da intervenção partidária.

Mas aquilo que por vezes aparenta ser contraditório – o desenvolvimento simultâneo da actividade nas três frentes: eleitoral, de massas e reforço partidário – realmente não o é. A atenção e os meios a concentrar em cada momento nas diferentes frentes serão necessariamente diferentes, mas não há barreiras entre elas. Pelo contrário. As campanhas eleitorais constituem um momento privilegiado de contacto e de conhecimento de muitas pessoas, ampliando as possibilidades de recrutamento e de organização do Partido em muitos locais de trabalho onde esteja ausente. Sabendo-se que, sobretudo em organizações mais débeis, não é fácil pôr em prática esta orientação, ela não pode deixar de estar bem presente durante períodos eleitorais.

Partimos para a luta no novo ano com um património muito rico de argumentos a favor do alargamento do apoio ao Partido, incluindo no plano eleitoral. A vida mostrou que em eleições o que está em disputa são deputados e não qual é o partido mais votado e, portanto, todos os votos contam e que o voto no PCP e na CDU é sempre um voto útil. E um voto verdadeiramente útil, de uma ponta a outra, como ficou demonstrado com os avanços alcançados com a solução política saída das eleições legislativas de Outubro de 2015 pela decisiva intervenção do PCP, avanços que o programa do PS não contemplava e que é necessário continuar a valorizar.

Mas a vida mostrou também que, sendo importantes, tais avanços são limitados pelo comprometimento do PS com os interesses do grande capital e com os constrangimentos do euro e da União Europeia, comprometimento e constrangimentos com os quais é indispensável romper para atacar os problemas estruturais do país e assegurar um Portugal com futuro. A crise profunda em que se encontra o processo de integração capitalista europeia mostra bem, como desde o primeiro momento o PCP foi o único partido a afirmar, que Portugal não pode continuar amarrado aos interesses do grande capital e das grandes potências da UE.

Os nossos adversários tudo fazem para esconder e deturpar esta realidade pois sabem que ela é um factor de prestígio e autoridade do Partido. Chegam a atribuir a outros avanços que são mérito da iniciativa e do combate do PCP e a atribuir ao PCP responsabilidades por decisões contrárias aos interesses populares que, entretanto, são da inteira responsabilidade do Governo minoritário do PS e das suas convergências de fundo com o PSD e o CDS. Não é fácil o combate pela verdade dada a enorme desproporção de meios e a discriminação da comunicação social. Mas, como diz um velho ditado popular, «a verdade é como o azeite, vem sempre ao de cima» e o importante é ir à luta com convicção e confiança no acerto da linha política do Partido e na possibilidade de a concretizar.

2019 será o ano do 45.º aniversário da Revolução de Abril e o Comité Central aprovou a Resolução «45.º aniversário da Revolução de Abril. Os valores de Abril no futuro de Portugal», apontando linhas de orientação para as comemorações a promover pelo Partido em que a evocação e valorização daquele que foi um dos maiores acontecimentos da História de Portugal está necessariamente voltada não para o passado, mas para o presente e o futuro da luta dos trabalhadores e do povo português pela sua emancipação. A nossa inacabada revolução, apesar do empobrecimento e destruição de conquistas fundamentais, deixou sulcos profundos de realizações, experiências e valores que são trunfos valiosíssimos para a nossa luta na actualidade.

É por isso que em torno da Revolução de Abril – acerca da natureza de classe do regime derrotado; das forças sociais e políticas (a classe operária e o PCP) que tiveram o papel decisivo no derrube da ditadura; da correspondência das nacionalizações, da Reforma Agrária e demais transformações sócio-económicas, com as exigências de liberdade e progresso social do povo português; da criminosa acção das forças contra-revolucionárias e outras questões – se continua a travar uma intensa luta ideológica que tenderá a agudizar-se e a acentuar a sua forte componente anti-comunista com a aproximação do 25 de Abril.

A luta em defesa da verdade histórica da Revolução de Abril assume redobrada importância num tempo em que a extrema-direita e o fascismo levantam cabeça por essa Europa fora e num ano de importantes batalhas políticas, pelo que é necessário planificar desde já iniciativas voltadas para as massas, e para a jovem geração em particular. Esta é também uma oportunidade para ler e reler materiais do Partido contendo valiosa informação e argumentação sobre o tema, nomeadamente as obras de Álvaro Cunhal A Revolução Portuguesa, o Passado e o Futuro e A Verdade e a Mentira sobre a Revolução Portuguesa, a Contra-Revolução confessa-se.

Por fim, deve sublinhar-se a importância do Encontro Nacional do PCP sobre a situação do país e as próximas eleições que terá lugar em 2 de Fevereiro, em Matosinhos, que apurará orientações para as batalhas eleitorais e constituirá desde logo o arranque de uma campanha dinâmica e audaciosa para as eleições de 26 de Maio para o Parlamento Europeu e que, simultaneamente, contribuirá para impulsionar a intervenção social e política do Partido e para dinamizar a concretização das tarefas de reforço da sua organização. Tarefas numerosas e exigentes, sem dúvida, mas que encaradas de modo integrado e com espírito militante, realizaremos com sucesso.

Feliz novo ano, camaradas!