Rubrica: Efeméride
Campo de Concentração do Tarrafal - Um crime do fascismo
Há 90 anos o movimento comunista e o movimento operário estavam perante a crescente ameaça do nazi-fascismo e da guerra. A expansão do fascismo era acompanhada da intensificação da violência contra quem se lhe opunha. As cadeias e os crimes fascistas multiplicavam-se. Os Campos de Concentração desenvolviam-se como cogumelos por toda a Europa.
O fascismo português regia-se pela mesma cartilha. A 29 de Outubro de 1936 era inaugurado o Campo de Concentração do Tarrafal (Cabo Verde), que passou à história como Campo da Morte Lenta. A sua inauguração fez-se com a primeira leva de 152 presos antifascistas, transferidos de cadeias do Continente e Angra do Heroísmo (Açores), alguns deles presos há já vários anos. Dela faziam parte dirigentes da Jornada de 18 de Janeiro, quadros da Organização Revolucionária da Armada (ORA), participantes na Revolta dos Marinheiro de Setembro de 1936, destacados dirigentes do Partido e da Federação das Juventudes Comunistas à época, incluindo Bento Gonçalves, Secretário-geral do Partido, que ali seria enterrado seis anos depois de lá ter entrado e quando já tinha terminado a pena a que fora condenado.
A criação do Campo logo foi considerada pelo Partido como uma cadeia destinada à liquidação dos mais destacados resistentes, concluindo premonitoriamente que o Campo se destinava a ser a sepultura de muitos antifascistas. Infelizmente as previsões do Partido confirmaram-se no trágico balanço de mortes e vidas abreviadas pela saúde arruinada em consequência das terríveis condições prisionais a que os presos eram sujeitos.
Partindo da análise da natureza do fascismo em que a violência organizada e sistemática tinha sido erigida a princípio basilar do regime, o Partido classificou a criação do Campo do Tarrafal como um crime.
Quando em 1935 foi decidida a sua criação, o regime fê-lo na previsão de que a resistência ao fascismo se iria desenvolver.
O Campo do Tarrafal reflectiu-se de forma profunda na organização e actividade do Partido, na sua história e na vida dos seus militante e dirigentes.
Os membros do Partido eram o maior contingente dos 152 presos «eleitos» para inaugurar o campo.
O Campo do Tarrafal contribuiu para o avolumar da longa lista da martiriologia do PCP – dos 32 assassinados no Tarrafal, 22 (68%) eram membros do Partido.
O Militante durante anos publicou numerosos artigos sobre o Tarrafal. Nesta sua edição publica o nome dos 22 camaradas que lá morreram e lá foram enterrados e cujos restos mortais, com os outros 10 assassinados, foram trasladados para Portugal depois do 25 de Abril, conquistada a liberdade e a independência de Cabo Verde, repousando desde então no Mausoléu construído para o efeito num talhão do Partido, no cemitério do Alto de S. João.
Passaram 90 anos e no entanto os perigos e a natureza do fascismo são uma realidade cada vez mais ameaçadora.
Os nomes dos mártires (do Tarrafal, como muitos outros, incluindo combatentes pela independência das antigas colónias portuguesas) devem ser conhecidos e divulgados. É preciso não esquecer que o fascismo existiu com todos os seus crimes. E não esquecer que todos morreram pela liberdade, pelo socialismo e o comunismo, objectivo supremo do Partido Comunista Português de ontem e de hoje.
A melhor homenagem que lhes podemos prestar é redobrarmos a nossa luta, reforçarmos o Partido.
Albino de Carvalho - 1941 |
Alfredo Caldeira - 1938 |
António Guedes Oliveira Silva - 1941 |
António Guerra - 1948 |
António Jesus Branco - 1942 |
Augusto Costa - 1937 |
Bento Gonçalves - 1942 |
Cândido Alves Barja - 1937 |
Casimiro Júlio Ferreira - 1941 |
Damásio Martins Pereira - 1942 |
Ernesto José Ribeiro - 1941 |
Fernando Alcobia - 1939 |
Francisco José Pereira - 1937 |
Francisco Nascimento Esteves - 1938 |
Francisco Nascimento Gomes - 1943 |
Henrique Vale Fernandes - 1942 |
Jacinto Faria Vilaça - 1941 |
Jaime Fonseca e Sousa - 1940 |
João Lopes Dinis - 1941 |
Joaquim Marreiros - 1948 |
Paulo José Dias - 1943 |
Rafael Tobias - 1937 |