Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Organização, Edição Nº 358 - Jan/Fev 2019

5000 contactos – Alguns resultados de uma acção que precisamos levar até ao fim

por Jaime Toga

Na sequência do XX Congresso do PCP, o Comité Central aprovou, na sua reunião de 20-21 de Janeiro de 2018, uma Resolução sobre o reforço do Partido em que identificava 10 linhas de intervenção prioritárias destacando-se, no âmbito do reforço da organização e intervenção nas empresas e locais de trabalho, a acção de 5 mil contactos com trabalhadores no activo para lhes colocar a adesão ao Partido, com o levantamento de nomes, a concretização dos contactos, a integração e a responsabilização destes trabalhadores entretanto recrutados.

Uma acção de grande importância, definida a partir das necessidades do Partido: necessidade de recrutamento de mais trabalhadores, aprofundando a dimensão de classe da organização partidária; necessidade de reforço do Partido e da sua organização junto da classe operária e dos trabalhadores, nos seus sectores e locais de trabalho, com mais células e células mais fortes; necessidade de falar e contactar com mais trabalhadores, falando-lhes do projecto do PCP e dos seus objectivos; necessidade de conhecer mais e melhor a realidade das empresas e dos locais de trabalho, para melhor intervir.

Um ano depois da decisão do Comité Central o balanço é francamente positivo: centenas de problemas e situações concretas de locais de trabalho recenseados para intervenção do Partido. Na reunião do Comité Central de 10 de Dezembro último estavam identificados 5800 trabalhadores e concretizados 2330 contactos, dos quais resultaram em 650 recrutamentos e muitos trabalhadores que, apesar de não aderirem (ainda) ao PCP, se disponibilizam para continuar a falar e a convergir com o Partido. Nestes casos, as organizações devem ver a sua integração em listas de envio de informação, mas também o envolvimento em tarefas no plano unitário, ou a possibilidade de contacto para participar em iniciativas do Partido, por exemplo, na dinamização de listas de apoio à CDU para as eleições para o Parlamento Europeu.

Havendo um importante caminho ainda a percorrer no âmbito desta acção – com muitos trabalhadores ainda por identificar e muitos mais ainda a contactar – há resultados que já se podem destacar e comprovam o acerto e a importância da decisão tomada. Temos mais células a funcionar, criámos novas células, reforçámos células já existentes. Passamos a ter camaradas em dezenas de locais de trabalho onde não tínhamos. Reforçámos disponibilidades de comunistas para participarem activamente em estruturas unitárias de massas.

Sendo «o objectivo fundamental da célula de empresa: consciencializar os trabalhadores, uni-los em torno dos seus interesses e anseios comuns, organizá-los para a luta contra a exploração de que são vítimas, pelas suas aspirações» 1, podemos dizer que cada novo militante é mais um passo que damos no reforço do Partido, na sua capacitação de consciencializar, unir e mobilizar os trabalhadores em torno dos seus objectivos e anseios.

O importante alcance deste reforço do Partido junto da classe operária e dos trabalhadores precisa ter uma tradução imediata no aproveitamento máximo destes 650 novos militantes, integrando-os em organismos, atribuindo-lhes uma tarefa, acompanhando a sua integração e responsabilização.

Uma acção com resultados já visíveis

Com muitos contactos ainda por fazer, são inegáveis os avanços já alcançados nas possibilidades do Partido conhecer, intervir e influenciar em dezenas de empresas onde não tínhamos nenhum camarada. Só na Organização Regional de Lisboa, os cerca de 160 recrutamentos já concretizados nesta acção permitiram que o PCP passasse a ter camaradas em 46 locais de trabalho onde até então não tinha. Muitos deles são locais estratégicos e tão diversos como escolas, hospitais, hipermercados e um conjunto alargado de empresas do sector da indústria. Trata-se de locais de trabalho onde o Partido passa a ter rosto e voz de forma permanente, colocando às organizações do Partido também a necessidade de medidas para o acompanhamento e a integração destes novos camaradas, ajudando-os a cumprir com a sua tarefa de comunista no local de trabalho.

A audácia do levantamento de nomes e do contacto com os trabalhadores permitiu em alguns casos recrutar e constituir célula, por exemplo na Hutchison, em Portalegre, onde o recrutamento de dois novos camaradas permitiu concretizar o objectivo antigo de criação de célula que, entretanto, já reuniu, fez o levantamento de mais nomes para abordar, sistematizou uma informação sobre a situação na empresa e viu medidas para o reforço do movimento sindical.

Nalgumas situações, o recrutamento foi possível mesmo em empresas onde a repressão se faz sentir de forma severa. Assim acontece na Efacec, no Porto, que tem em curso um processo de despedimento que procura afastar da empresa trabalhadores que se destacam na luta, entre eles comunistas, mas onde a acção dos 5 mil contactos permitiu estabelecer contactos e recrutar para o Partido, reforçando a célula existente, mas também a capacidade de intervir e reforçar a luta.

Ainda na indústria, na Sakthi, no Porto foram recrutados cinco trabalhadores, o que permitiu reforçar a célula e criar condições para estabilizar o seu normal funcionamento, com distribuição de tarefas entre os camaradas, sendo que um destes novos militantes foi recentemente eleito para o organismo de direcção das Empresas e Sectores Estratégicos da ORP.

Na Organização Regional de Aveiro, a partir desta acção, foram recrutados cinco trabalhadores do sector da portaria e vigilância que, juntando-se aos camaradas que já tínhamos no sector, permitiu a criação de um organismo, que já reuniu e discutiu a situação do sector e a intervenção do Partido, distribuiu tarefas entre os seus membros e organizou uma audição de deputados do PCP com trabalhadores deste sector na região.

No concelho do Barreiro foram reactivadas as células na Fisipe e na Soflusa, empresas estratégicas onde recrutámos novos camaradas. Na Fisipe, em cerca de um ano, recrutámos três camaradas, a célula já reúne com regularidade, recolhe as quotas entre os seus membros, realizaram tarefas na Festa do Avante!, discutem os problemas da empresa e a intervenção do Partido, tendo tido um papel determinante na defesa da unidade dos trabalhadores e na luta por salários e direitos, mas também na oposição ao despedimento colectivo que a empresa desencadeou. Na Soflua, a regularidade de funcionamento da nova célula permite a intervenção permanente do Partido, que se tem revelado fundamental para a unidade dos trabalhadores, num contexto onde, por razões históricas, há diferentes sindicatos do MSU a intervir na empresa.

Foram ainda criadas ou reactivadas células do Corte Inglês de Lisboa, da Apapol, Assistentes Aeroportuários, Águas do Tejo, todas elas na Organização Regional de Lisboa. No Litoral Alentejano fortaleceram-se as células dos trabalhadores das autarquias de Sines, Alcácer do Sal, Grândola e Santiago do Cacém, além da célula do grupo Valouro e da reactivação de um organismo intermédio de direcção no Complexo Industrial de Sines. Também em Santarém se conseguiu criar a célula da Carnes Nobre.

Mas há avanços registados igualmente no sector da cultura, com recrutamentos na Companhia Nacional de Bailado e no Teatro Nacional São Carlos. No sector intelectual do Porto, por via de recrutamentos realizados, foi possível retomar o funcionamento do sector dos arquitectos e reforçar o sector das artes e espectáculos, com reforço da atenção e intervenção do Partido junto dos trabalhadores do sector e com melhores condições para intervir e dinamizar a acção unitária.

Dar regularidade ao contacto, à intervenção e ao recrutamento de trabalhadores

Sem esquecer a necessidade de levar até ao fim o conjunto dos contactos que cada organização tem pela frente, para concluir esta tarefa crucial temos de ter um número significativamente superior de nomes; recensear mais nomes; continuar a centrar a atenção na concretização das conversas, fixando datas, horas e ajudando camaradas que possam ter hesitações na sua concretização; fazendo um controlo de execução na discussão colectiva semanal, nos contactos a partir dos secretariados e com a ajuda a quadros responsáveis por organizações onde existem bloqueios.

Sem ignorar que há ainda bloqueios em muitas organizações, que não podem deixar de ser enfrentados, ajudando os camaradas a olhar para o lado, a melhor conhecer e a contactar ainda mais com os trabalhadores com quem convivem diariamente.

Mas precisamos igualmente acautelar dois aspectos que devem começar desde já a ser tidos em conta e a merecer a nossa maior atenção.

Um tem a ver com a necessidade de tomar desde já medidas para o enquadramento destes novos camaradas. Onde temos células, naturalmente são integrados nas células. Onde recrutamos três ou quatro camaradas (e há empresas e sectores onde já conseguimos fazer isto este ano) as coisas ficam facilitadas. Cria-se a célula ou o sector e integram-se lá esses camaradas. Mas a maioria dos concelhos e até algumas direcções regionais não têm células nem sectores de empresas, havendo o risco destes recrutamentos serem canalizados para a organização por base local, mantendo a mesma estruturação, sem incutir no trabalho e na estruturação orgânica nenhum avanço. Por isso, precisamos, caso a caso, olhar para os resultados desta acção. Avaliar onde é que os quatro ou cinco recrutamentos efectuados num concelho podem permitir a criação de um colectivo para a intervenção do Partido nas empresas e locais de trabalho. Integrando estes novos camaradas num organismo que tenha como prioridade discutir a situação dos trabalhadores e a intervenção do Partido.

A outra questão a destacar é o estilo de trabalho. O que estamos a fazer nesta acção dos 5 mil contactos (identificando trabalhadores com quem falar sobre os problemas do seu local de trabalho, sobre as propostas do PCP e o seu projecto, mas também sobre a importância dele, enquanto trabalhador, reforçar o PCP) é algo que precisa ser integrado no nosso estilo de trabalho. Identificar trabalhadores que não são comunistas, mas que se destacam nos locais de trabalho pela sua coerência, combatividade, consciência de classe e prestígio, precisa ser uma preocupação regular, permanente, dos organismos e quadros do Partido, rompendo com situações de enconchamento, aprofundando a ligação com os trabalhadores e a nossa capacidade de organização, de intervenção e de influência lá, onde é mais evidente o confronto de classe.

Notas

(1) Sobre a Célula de Empresa, a mais importante organização de base do Partido, ed. Avante!», Setembro/2003, p. 23.