Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição 'Nº 357 - Nov/Dez 2018'

Duas frentes de luta

por Revista «O Militante»

Estamos a terminar mais um ano que exigiu muito da iniciativa e intervenção do Partido e prestes a iniciar outro que seguramente não será menos exigente. E isso porque persiste uma situação nacional em que os avanços alcançados com a actual solução política, pelos quais muito lutámos e que valorizamos, simultaneamente evidenciam o seu carácter limitado face aos graves problemas estruturais do país e à necessidade de uma viragem de progresso social e soberania que só com a alternativa patriótica e de esquerda que o PCP preconiza pode ser alcançada. E porque 2019 será ano de três eleições – para o Parlamento Europeu já em Maio, para a Assembleia da República e para a Região Autónoma da Madeira –, cujos resultados pesarão fortemente na evolução da situação política nacional e que vão exigir do PCP e dos seus aliados da CDU uma grande concentração de energias. Claro que na orientação e na prática quotidiana do Partido a luta de massas, a mobilização dos trabalhadores e das populações, é o elemento central e decisivo da luta pela alternativa. A luta de massas nas empresas e na rua não pode ser descurada mesmo quando há que concentrar forças nas eleições. Mas entre as duas frentes de intervenção há uma relação dialéctica. Essa influência recíproca tornou-se particularmente evidente quando, na sequência de grandes lutas contra a criminosa política do governo de Passos Coelho, e perante a arrumação de forças saída das eleições legislativas de Outubro de 2015, o PCP audaciosamente tomou a iniciativa da posição conjunta com o PS, que permitiu afastar o PSD/CDS do Governo e a recuperação de direitos e rendimentos que haviam sido roubados ao povo português.

À necessidade de desenvolver forte iniciativa simultaneamente nas duas frentes, de massas e eleitoral, juntam-se as tarefas de reforço da organização partidária, tarefa central e permanente do Partido que em nenhuma situação pode ser descurada. É necessário compreender que luta e construção do Partido não se «somam» e muito menos se excluem, pelo contrário, uma não pode existir sem a outra e, como a experiência do Partido mostra, é na luta que em geral se revelam e recrutam os melhores militantes. Combinar organização e luta de massas, organização e trabalho eleitoral (e são muitos milhares os não comunistas que estão connosco nas batalhas eleitorais), torna-se uma tarefa mais fácil do que à primeira vista parece, se essa combinação se tornar estilo de trabalho dos activistas do Partido.

O ano que finda foi o ano do II Centenário do nascimento de Karl Marx. Sob o lema «Karl Marx Legado, Intervenção, Luta. Transformar o Mundo», o PCP deu particular atenção às comemorações da efeméride, promovendo um vasto conjunto de iniciativas por todo o país. Destas é de justiça destacar a Conferência do PCP de 24 e 25 de Fevereiro em Lisboa, pela sua dimensão mas sobretudo pelo seu conteúdo, com a elaboração de um valioso conjunto de contribuições (publicadas em livro pelas Edições «Avante!») que representam um esforço para, partindo da realidade concreta actual e considerando as profundas transformações que em dois séculos se verificaram no mundo, demonstrar a validade do pensamento de Marx, do marxismo, tornado marxismo-leninismo com a genial contribuição de Lénine.

Com a iniciativa de 10 de Novembro, em Coimbra, com o Secretário-Geral do Partido encerra-se oficialmente um ano de comemorações, mas elas irão ainda continuar, nomeadamente com a exibição da excelente Exposição produzida pelo DEP e múltiplos debates sobre o pensamento e a obra de Marx. As acções de formação ideológica e a intervenção na luta das ideias para demonstrar a exigência da superação revolucionária do capitalismo, irão também prosseguir.

O fortalecimento das convicções revolucionárias dos membros do Partido, o aperfeiçoamento da sua formação política e ideológica é, deve ser, uma preocupação permanente. Uma preocupação que a complexidade da situação nacional e internacional e a sofisticada ofensiva ideológica da classe dominante, torna particularmente importante. A primeira condição para enfrentar com espírito ofensivo as mentiras e manobras do nosso inimigo de classe, é saber de onde vimos e para onde queremos ir, é dominar as bases da teoria que explica o mundo e indica como transformá-lo, é conhecer bem a História do PCP, a História da Revolução Portuguesa, o Programa do Partido. A elevação do nível ideológico dos membros do Partido tem de estar presente no dia-a-dia da actividade partidária. É por isso que, tendo em conta que no próximo ano se comemorarão os 45 anos do 25 de Abril, O Militante recomenda desde já aos seus leitores, e não apenas aos mais jovens muitos dos quais nasceram já depois da Revolução, a leitura e o estudo da obra do camarada Álvaro Cunhal «A Revolução Portuguesa, o Passado e o Futuro».

Por circunstâncias várias, este texto é redigido antes da reunião do Comité Central de 28 de Outubro e a própria saída da revista teve de ser atrasada de uma semana para poder incluir o comunicado da reunião. Mas chama-se desde já a atenção para a sua leitura pois ele conterá seguramente avaliações sobre os mais recentes desenvolvimentos da situação nacional e internacional e orientações para o trabalho de organização e a intervenção política do Partido.

Entretanto é de sublinhar a importância das lutas que têm sido travadas em numerosas empresas e sectores profissionais (nomeadamente professores, trabalhadores da Função Pública, enfermeiros, trabalhadores da Cultura) e pelas populações (questões dos transportes, da habitação, contra o encerramento de postos dos CTT, ou agências da CGD), lutas que certamente terão expressão na Manifestação Nacional convocada pela CGTP para 15 de Novembro, em Lisboa. Sem tais lutas não teria sido possível a recuperação de direitos e rendimentos que, apesar de todas as insuficiências e limitações, foram incluídos no Orçamento de Estado e que o PCP tudo fará por levar o mais longe possível na discussão na especialidade.

É de registar também a intensa actividade desenvolvida pelo Partido em todas as frentes, sem esquecer o extraordinário sucesso da Festa do Avante!, só possível pela natureza deste Partido e a sua identificação profunda com os valores de Abril, valores que se espelham na alegria e fraternidade que percorrem aqueles três dias mágicos na Quinta da Atalaia, valores que incorporamos no Programa do nosso Partido «Uma Democracia Avançada, os Valores de Abril no Futuro de Portugal». A Conferência do PCP, que terá lugar a 24 de Novembro, em Setúbal – «Com os trabalhadores e o povo! Por um Portugal com futuro! Construir a alternativa patriótica e de esquerda!» –, constituirá certamente um acontecimento marcante da luta pela ruptura com décadas de política de direita do PS, PSD e CDS e com a ruinosa submissão de Portugal à União Europeia e ao Euro.

Simultaneamente, no inteiro respeito pela respectiva autonomia e dinâmica própria, os comunistas continuarão a contribuir para o fortalecimento das organizações unitárias que, como o MDM (em 27 de Outubro) e o MURPI (em 25 de Novembro), realizam os seus Congressos, assim como do CPPC que, em conjunto com um vasto leque de outras organizações, promoveu no dia 20 de Outubro, em Loures, o Encontro pela Paz «Pela Paz todos não somos demais», um acontecimento marcante em que participaram mais de 700 pessoas. Perante o agravamento da ofensiva agressiva do imperialismo e o crescente perigo de conflito militar de catastróficas proporções, trata-se de uma iniciativa de grande importância e significado que O Militante saúda.