Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Organização, Edição 'Nº 357 - Nov/Dez 2018'

Reforço do Partido: 5 mil contactos prioridade entre as prioridades

por Revista «O Militante»

O reforço do Partido é uma tarefa permanente que em cada situação comporta a definição de objectivos, linhas de orientação e prioridades. Neste momento, no quadro das orientações do XX Congresso, está em curso a acção de concretização da Resolução do Comité Central de 20 e 21 de Janeiro de 2018 – «Por um Partido mais forte e mais influente» –, que aponta um conjunto de dez linhas de orientação fundamentais.

Nesse âmbito destaca-se a importância do reforço da organização e intervenção nas empresas e locais de trabalho, em particular a acção de contacto com 5 mil trabalhadores no activo para lhes colocar a necessidade do apoio e da adesão ao Partido.

Esta é uma acção com características inovadoras e de uma excepcional importância.

A importância que decorre da organização do Partido nas empresas e locais de trabalho ser a mais importante organização de base do Partido e consequentemente do relevo da intervenção aí desenvolvida.

A importância do contacto com 5 mil trabalhadores para lhes colocar a adesão ao Partido e da sua adesão e integração efectiva. O Partido precisa de mais militantes organizados a partir das empresas e locais de trabalho. Precisa de reforçar células e de criar novas células. Precisa de uma ligação estreita aos trabalhadores e às suas lutas. Precisa de mais quadros com consciência de classe, elementos de vanguarda da luta dos trabalhadores. O contacto em curso permite avançar nesse sentido.

A importância desta acção como iniciativa de ligação às massas, de estimular as organizações e os militantes a voltarem-se para fora, a desenvolverem e generalizarem um estilo de trabalho de ligação aos trabalhadores, aos seus companheiros de trabalho, em que além das questões do dia-a-dia, dos problemas dos trabalhadores, das questões dos seus interesses de classe mais imediatos, da sua unidade e luta, lhes fale do seu Partido, o partido dos trabalhadores, o Partido Comunista Português.

Impõe-se, no quadro do compromisso colectivo assumido, levar esta acção até ao fim, assegurando o seu êxito com todas as consequências positivas que tem.

Avançou-se. Ultrapassou-se o número dos 5300 nomes registados, foram feitos mais de 1500 contactos e recrutados 500 novos militantes. Salientam-se ainda as disponibilidades de participação manifestadas, o aprofundamento do conhecimento sobre a realidade de empresas e locais de trabalho, o alargamento do trabalho de ligação às massas e uma maior discussão das tarefas concretas de valorização, reforço e construção da organização do Partido. Verificam-se manifestações de grande interesse por parte de muitos trabalhadores contactados. Passaram a existir militantes em muitas dezenas de empresas e locais de trabalho onde não existiam. Foram criadas novas células. O recrutamento significa novos militantes e, em muitos casos, pelas suas características, representa ter novos militantes que são já quadros que é importante responsabilizar.

Há inércias e atrasos. É importante perceber algumas razões que estão na base dessas situações.

Uma das dificuldades é assegurar esta prioridade como tal, demasiadas vezes outras tarefas são colocadas à frente, criando entraves, pois este trabalho envolve tempo para apurar nomes, para ver quem os contacta, para marcar e realizar as conversas e para as remarcar, nos casos em que é preciso alterá-las.

Uma outra questão é a dificuldade de um número significativo de camaradas terem sistematizado os elementos e argumentos para a conversa a ter com cada trabalhador. Uma conversa não sobre uma qualquer matéria, mas sobre o Partido e o seu projecto e, a partir daí, sobre a questão de maior importância que constitui colocar-lhes a decisão de passarem a ser membros do Partido. Uma conversa que carece da preparação de cada um e de ajuda colectiva e individual, pois em muitos casos as conversas com os trabalhadores são em torno das questões do dia-a-dia, ou das questões mais imediatas dos trabalhadores. Mesmo camaradas com responsabilidades sindicais e em outras estruturas dos trabalhadores que contactam com centenas ou milhares de trabalhadores, fazem-no habitualmente numa perspectiva unitária, e este tipo de conversa agora é outra coisa, implica ligar tudo isso à afirmação do PCP e do seu projecto.

Há ainda a situação decorrente das campanhas sistemáticas contra o Partido, assentes no anticomunismo cavernícola, ou em outras versões enganadoras e traiçoeiras, que criam preconceitos em muitos trabalhadores com quem vamos contactar, mas também receios em camaradas que se fecham sobre si próprios e não agem com a necessária audácia e confiança.

Estas situações que aqui e ali têm travado o desenvolvimento desta acção com a velocidade necessária, não diminuem a importância deste trabalho. Ao contrário, dão-lhe mais actualidade e conferem-lhe uma necessidade ainda maior, como forma de romper enconchamentos e transformar os contactos desta campanha numa forma normal de agir, introduzi-los como estilo de trabalho permanente de ligação com os trabalhadores.

Impõe-se, no quadro da ajuda já referida, que cada camarada se prepare para ter as conversas e considerar as formas de ajuda para o efeito. E não faltam elementos que dão força, convicção em cada uma dessas conversas. Desde logo, do Partido com uma história heróica, ímpar, partido da classe operária e de todos os trabalhadores, que marcou e marca a realidade nacional, na resistência ao fascismo, na Revolução de Abril, na resistência ao processo contra-revolucionário, na defesa das conquistas de Abril e da soberania nacional, sempre com os trabalhadores e o povo. O Partido que não desperdiça nenhuma possibilidade de resistir, defender, repor e conquistar direitos, que luta pela ruptura com a política de direita e pela alternativa patriótica e de esquerda. O Partido que propõe aos trabalhadores e ao povo português o Programa de uma democracia avançada com os valores de Abril no futuro de Portugal, parte integrante da luta por uma sociedade nova, liberta da exploração capitalista, o socialismo e o comunismo, objectivo supremo e elemento fundamental da identidade do PCP.

Impõe-se a concentração da atenção da generalidade das organizações e quadros na aceleração dos contactos, na integração dos novos militantes e no seu envolvimento em novos contactos a fazer, no prosseguimento do levantamento de nomes, no aproveitamento das disponibilidades manifestadas, no estabelecimento de formas de informação regular com os trabalhadores contactados que não decidiram ainda aderir ao Partido.

É indispensável fazer o controlo de execução semanal, centralizar a informação dos dados obtidos, discutir colectivamente e dar ajuda individual.

Questão essencial é aumentar o número de conversas em cada semana e o número de camaradas a concretizá-las e, para isso, focarmo-nos na fixação do dia e hora de cada conversa.

O impacto desta acção na organização está associado à necessidade de adoptar outras medidas quanto ao reforço da organização e intervenção nas empresas e locais de trabalho, designadamente: o destacamento de quadros; a criação e regularização do funcionamento de organismos; criação e fortalecimento de células; articulação do reforço orgânico com a luta reivindicativa e a iniciativa e intervenção política do Partido.

O reforço do Partido resulta da sua intervenção, mas exige um continuado e persistente trabalho de organização. Não basta apenas decidir orientações, é necessário levá-las à prática, assumindo o reforço do Partido como prioridade central a concretizar agora.